EUA e UE assinam acordo comercial após o Dia da Libertação
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O dólar caiu em relação à maioria das moedas na semana passada, com os participantes do mercado cada vez mais nervosos em relação ao prazo final para a imposição de tarifas na sexta-feira.
Estas notícias são um acontecimento particularmente bem-vindo para os mercados, que se preparavam para a possibilidade de tarifas significativamente mais elevadas em ambos os sentidos, o que provavelmente teria um grande impacto na economia global. Embora muitos detalhes do acordo ainda não tenham sido acertados e as tarifas em si provavelmente ainda tenham um impacto negativo considerável no crescimento, os investidores ficarão satisfeitos por o pior cenário ter sido evitado.
A ação no mercado cambial esta semana será, sem dúvida, impulsionada pelas consequências dos acordos comerciais e por quaisquer notícias de progresso nas negociações de última hora com outros países. Os mercados também terão a pequena questão da reunião do FOMC de julho para digerir na quarta-feira.

EUR
Os relatos de que a UE estaria perto de fechar um acordo comercial com os EUA mantiveram a moeda comum em alta na semana passada. Os mercados bolsistas reagiram positivamente às notícias do acordo até à data, embora os movimentos do euro tenham sido contidos, dado que um acordo já estava fortemente precificado. O Banco Central Europeu não apresentou surpresas reais na semana passada, mantendo as taxas de juro estáveis e reiterando que a política monetária estava numa “boa posição”. No entanto, o tom de Lagarde foi moderadamente mais agressivo do que esperávamos, uma vez que manifestou confiança na inflação e não fez qualquer tentativa de desvalorizar o euro.
Agora que um acordo comercial entre os EUA e a UE está garantido, estamos bastante confiantes de que o BCE manterá a postura de espera pelo menos nas próximas reuniões, e não é descartável que o conselho tenha feito o seu corte final no ciclo actual. Os números preliminares do PIB do segundo trimestre e da inflação de Julho serão divulgados na quarta e sexta-feira, respectivamente, mas o euro será provavelmente impulsionado mais pelas consequências do acordo comercial do que por qualquer outra coisa.
USD
A economia dos EUA continua sem dar sinais de abrandamento. As empresas parecem amplamente resilientes à incerteza criada pelas tarifas de Trump, pelo menos de acordo com o PMI composto deste mês da S&P, que atingiu o seu nível mais elevado desde Dezembro. Também não estamos a ver sinais de despedimentos em massa no mercado de trabalho, com os números de pedidos de subsídio de desemprego da semana passada a descerem para os níveis mais baixos desde Abril. É uma surpresa que a recente força da economia dos EUA ainda não se tenha reflectido num dólar mais forte, mas isso pode ter sido apenas um reflexo do nervosismo persistente antes do prazo final para a aplicação das tarifas esta sexta-feira.
Deixando de lado os desenvolvimentos comerciais, os mercados estarão de olho na decisão do FOMC de quarta-feira. Embora não esperemos qualquer alteração nas taxas, poderemos assistir a alguns votos a favor de um corte imediato. O Presidente Powell, no entanto, irá provavelmente adiar a decisão, voltando a sublinhar que serão necessários mais dados sobre as implicações económicas das tarifas e que a Fed terá maior clareza após o Verão (no hemisfério norte).
GBP
A libra esterlina continuou atrás da maioria das suas principais moedas homólogas na semana passada, com outra série de dados económicos dececionantes a aumentar os receios sobre a saúde da economia britânica. Os números das vendas a retalho de Junho e o PMI composto da actividade empresarial de Julho surpreenderam pela negativa e mantiveram-se consistentes com uma economia que está completamente estagnada. A notícia de que o governo do Reino Unido contraiu empréstimos acima do esperado em Junho também não fará nada para aliviar a pressão sobre a chanceler Rachel Reeves, que quase certamente precisará de aumentar os impostos novamente no Outono para evitar uma catástrofe fiscal.
A rápida deterioração da economia coloca o Banco de Inglaterra num dilema e levanta a questão de saber se o Comité de Política Monetária (MPC) dará prioridade ao crescimento e ao mercado de trabalho ou à manutenção da estabilidade de preços. Embora acreditemos que um corte de 25 pontos base na taxa de juro seja altamente provável em Agosto, os receios em relação a este último ponto poderão garantir apenas um ritmo gradual de redução das taxas a partir daí.
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