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BRL: O Real brasileiro terminará o próximo ano em torno da marca dos 3,50 em relação ao Dólar

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27 May 2019

Escrito por
Enrique Díaz-Álvarez

Chief Risk Officer at Ebury. Committed to mitigating FX risk through tailored strategies, detailed market insight, and FXFC forecasting for Bloomberg.

O Real brasileiro (BRL) caiu para uma baixa recorde em relação ao Dólar americano em setembro de 2018

Esta queda deveu-se em parte à forte desvalorização de quase todas as moedas dos mercados emergentes induzida pela turbulência na Turquia, mas também à incerteza política que levou às eleições presidenciais de outubro no Brasil.

A incerteza política ensombrou consideravelmente as perspetivas para o Real durante a maior parte do ano de 2018. O resultado das eleições, que resultaram na vitória de Jair Bolsonaro, mais favorável aos mercados, ajudou a aliviar essa incerteza e permitiu que a moeda recuperasse grande parte das suas perdas. O BRL, no entanto, voltou a desvalorizar, caindo para mínimos de sete meses, em abril.

A recente depreciação da moeda deveu-se em grande parte às disputas políticas em torno da campanha de reforma do regime de pensões de Bolsonaro. As reformas, que se esperava poderem ajudar a impulsionar a economia do Brasil, ultrapassaram o seu primeiro impasse legislativo após uma votação tardia no Congresso em abril. Dito isto, a aprovação final e a adoção da lei serão provavelmente um longo processo que pode culminar com uma diluição das reformas e um impacto fiscal muito reduzido.

Um dos maiores desafios para Bolsonaro continua a ser a forma de lidar com a economia brasileira em dificuldades. O Brasil emergiu em 2017 de uma das suas mais profundas recessões em décadas, depois de a economia ter registado uma contração em todos os trimestres durante dois anos completos. O ritmo da recuperação tem sido lento, com o crescimento trimestral a cair mais uma vez para uns inexpressivos 0,1% nos últimos três meses do ano passado. A expansão ao longo de 2018 atingiu apenas 1,1%, o que está longe de ajudar o Real. O fraco nível de expansão deveu-se em grande parte a um declínio acentuado dos investimentos, enquanto os gastos de consumo não recuperaram, possivelmente devido a um desempenho do mercado de trabalho mais fraco do que o esperado. A medida tomada pelo Governo no ano passado de autorizar os trabalhadores a levantarem valores do fundo de previdência social, que injetou aproximadamente 14 mil milhões de Dólares na economia, parece ter tido apenas um impacto muito limitado na atividade de consumo.

A balança comercial do país, pelo contrário, dá-nos razões para ser otimistas. O saldo comercial positivo do país tem caminhado largamente na direção certa e tem registado excedentes confortáveis em todos os meses desde março de 2015. Um BRL bastante fraco ajudou a impulsionar as exportações, embora o recente crescimento global moderado seja motivo de preocupação. Os dados recentes do PMI também foram bastante encorajadores. O índice da atividade industrial tem estado em território expansionista em todos os meses desde junho, enquanto o PMI dos serviços aumentou em março para o seu nível mais elevado em quase um ano. Prevê-se que a economia do Brasil cresça cerca de 2,5-3% em 2019, uma ligeira revisão em baixa das estimativas anteriores, mas a um ritmo mais rápido do que em 2018.

O abrandamento das pressões inflacionistas permitiu ao Banco Central do Brasil (BACEN) reduzir as taxas de juros em várias ocasiões durante 2017 e princípio de 2018. As taxas baixaram na reunião do banco central de março de 2018 para um novo recorde de baixa de 6,5%, embora a política tenha permanecido inalterada desde então, com a inflação agora estável dentro da meta da inflação de 3-6% do BACEN. A inflação global fixou-se em 4,6% em março, acima do ponto médio da meta do banco. Trata-se de um nível bastante encorajador, dado que o Brasil tem lutado historicamente para domar o descontrolo dos preços. A baixa inflação, ajudada pela recuperação do Real, deve aliviar a pressão sobre o banco central, para ajustar a sua política monetária nos próximos meses. No meio do fraco crescimento dos preços, a taxa de juros real permanece firmemente em terreno positivo à volta dos 2%. Isto significa, a nosso ver, que o Real continua a ser uma das moedas mais bem suportadas da região.

As reservas cambiais no Brasil continuam a ser uma fonte adicional de otimismo e devem dar ao banco central bastante espaço para intervir nos mercados cambiais, a fim de evitar uma depreciação do Real. Atualmente, as reservas ascendem ao equivalente a 25 meses de importações. Este número caiu ligeiramente nos últimos anos, embora isto tenha sido impulsionado em grande parte por uma subida das importações, e as reservas em divisas fortes mantidas pelo banco central permanecem fortes após anos de força do Real em que o BACEN conseguiu acumular uma quantidade significativa de moeda estrangeira.

Acreditamos que o Real brasileiro será uma das moedas dos mercados emergentes a apresentar melhor desempenho este ano. O alívio da incerteza política, elevadas taxas de juros reais, reservas consideráveis em moeda estrangeira e a redução do défice da conta corrente levam-nos a acreditar que o BRL terminará o próximo ano em torno da marca dos 3,50 em relação ao Dólar americano. Um ritmo ligeiramente mais lento de subida das taxas pelo banco central, na sequência das últimas notícias económicas, significa, porém, que revemos em alta a nossa projeção de curto prazo.

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