Dólar, Yen e Franco Suíço, disparam à medida que crise turca se aprofunda

Enrique Díaz-Álvarez14/Aug/2018Análise do Mercado de Câmbios

Os mercados monetários foram atingidos na semana passada por uma crise clássica dos mercados emergentes. A Lira turca caiu a pique perante um Presidente Erdogan e seus conselheiros financeiros que parecem ter perdido o controlo da situação e fazem declarações cada vez mais surpreendentes e desnecessárias. O Euro aguentou-se bem na corrida no início da semana, mas rapidamente começou a ficar para trás quando os mercados começaram a preocupar-se com o efeito da crise turca sobre alguns bancos europeus e a economia da zona Euro em geral. O Dólar, o Franco Suíço e o Yen Japonês superaram todas as expectativas, estimulados pelos investidores em busca de investimentos seguros. As moedas da América Latina, o Rublo e o Rand sul-africano foram as que mais sofreram com o efeito de arrastamento da crise turca.

A próxima semana adivinha-se crítica para os mercados monetários emergentes. A principal questão é se a crise turca será encarada como um acontecimento isolado, desencadeado pela particular vulnerabilidade da Turquia e a má gestão financeira, como prevemos que aconteça, ou se os investidores se servirão desta desculpa para também saltarem fora de outros mercados emergentes. Em contrapartida, não haverá muitas novidades económicas, pelo que é de esperar que os mercados sejam influenciados pelos títulos políticos, especialmente os saídos da Turquia.

EUR

Notícias de que o BCE está a acompanhar de perto o efeito da crise turca sobre alguns bancos europeus (principalmente o BBVA, o Unicrédito e o BNP) atingiram fortemente o Euro na semana passada, que caiu abaixo dos 1,15, o nível mínimo real registado desde o Verão de 2017. Pensamos que a reação do mercado está a ser algo excessiva. As exportações para a Turquia não chegam aos 0,5% do PIB da União Europeia. Relativamente ao efeito sobre os bancos da União Europeia, o pior cenário seria afastarem-se dos seus investimentos nos bancos turcos. Mesmo no caso do BBVA, o mais exposto, a perda seria significativa, embora facilmente absorvida pelas reservas de capital do banco. Continuamos a considerar a desvalorização do Euro aos níveis atuais como excessiva, embora pensemos que ainda não é chegada a altura de o Euro valorizar a par do Dólar americano.

GBP

No início da semana, a Libra Esterlina manteve a tendência recente e desvalorizou ligeiramente enquanto os traders se preocupavam com a possível saída dura do Reino Unido da União Europeia. No entanto, à medida que os dias passaram, a crise turca dominou a atenção dos jornais e a Libra conseguiu recuperar em relação ao Euro perante perspetivas de repercussões mínimas sobre a economia e os bancos britânicos. Esta semana podemos contar com notícias económicas críticas provenientes do Reino Unido. Seria de esperar que os dados sobre o mercado laboral na terça-feira e o relatório sobre a inflação a publicar na quarta-feira dominassem a negociação da Libra, mas resta saber se estas novidades se irão sobrepor ao ruído em torno da Turquia.

USD

A confusão dos mercados turcos ofuscou o que consideramos terem sido informações muito importantes saídas dos EUA. O relatório sobre a inflação de quarta-feira foi mais forte do que a maioria dos analistas previa. Igualmente importante foi a nova subida da inflação subjacente para 2,4%, bem acima da meta da Reserva Federal, sem mostrar sinais de abrandamento da ascensão lenta. As taxas de juro americanas reagiram às notícias com um aumento visível, que mais à frente na semana foi contrabalançado por ondas de compra de refúgio da moeda norte-americana em resposta à trapalhada turca.

Na próxima semana esperam-se poucas novidades provenientes dos EUA, pelo que o comportamento do Dólar deverá ser influenciado principalmente pelas notícias sobre a situação turca e as disputas comerciais da Administração Trump com o resto do mundo.

 

Print

Written by Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.