Receio de guerra comercial estimula moedas de refúgio

Enrique Díaz-Álvarez25/Jun/2018Análise do Mercado de Câmbios

A crescente disputa comercial entre a China e os EUA agitou os investidores em divisas e levou-os a socorrer-se de moedas de refúgio, principalmente o Franco Suíço e o Yen Japonês. O Euro beneficiou também das informações económicas que acabaram por surpreender positivamente, depois de várias semanas de desilusões. A Libra beneficiou menos do que se esperava do tom surpreendentemente agressivo do Banco de Inglaterra, em que a voz do economista chefe Haldane se juntou às duas outras vozes que exigiam uma subida imediata. Não obstante, ainda conseguiu alcançar pequenos ganhos face ao Dólar.

O Peso Mexicano foi o vencedor inesperado da semana, tendo recuperado com a perspetiva otimista de que a vitória esperada do candidato de esquerda às eleições presidenciais não irá prejudicar as expectativas económicas do país.

Os dados económicos serão novamente essenciais para os mercados cambiais esta semana, com a publicação nos EUA, Europa e China de um conjunto de dados. Iremos estar particularmente atentos às notícias sobre a inflação nos EUA e na Zona Euro, que sairão na quarta e quinta-feira, respetivamente.

Principais moedas ao nor

GBP

Tal como previsto, o Banco de Inglaterra não mexeu na taxa. No entanto, o número de vozes discordantes na Comissão de Política Monetária a favor de uma subida imediata aumentou para três, com o economista chefe Andy Haldane a juntar-se ao grupo. Trata-se do primeiro economista chefe do Banco de Inglaterra discordante com a posição do Banco desde 2011, pelo que o seu peso é maior do que o dos demais votos individuais. Na nossa opinião este é um desvio significativo, que abre as portas a uma subida em agosto. A reação silenciosa da Libra a estas notícias deixa-nos um pouco perplexos, permitindo-nos antever uma possível corrida da Libra, no verão, especialmente se das negociações para o Brexit resultarem notícias positivas.

EUR

Os índices PMI da atividade comercial forneceram as primeiras novidades económicas inequivocamente positivas a respeito da Zona Euro desde os últimos tempos. O índice compósito sofreu a primeira subida dos últimos cinco meses. Trata-se do melhor indicador principal do comportamento económico da Zona Euro, cuja ascensão sustenta a nossa visão de que o abrandamento será fraco e durará pouco tempo. Aguardamos agora ansiosamente por novos dados sobre a inflação. Se a inflação subjacente se mantiver fiel ao aumento anormalmente elevado de maio, poderemos começar a ver, no médio prazo, sinais de valores mínimos no par cambial Euro-Dólar.

USD

A semana começou com o anúncio ruidoso de que Trump estava a considerar aplicar tarifas de 10% em mais produtos chineses, no valor de 200 mil milhões de dólares, e a consequente ameaça de retaliação da parte da China. As ações asiáticas enfrentaram uma semana muito difícil, enquanto os ativos de risco noutras partes se saíram melhor. O Dólar americano, em especial, não tirou proveito da incerteza, apesar do seu estatuto de moeda de refúgio, tendo retraído discretamente.

Na Zona Euro, os traders de divisas devem concentrar-se nos dados da inflação anunciados na sexta-feira, procurando confirmar a tendência geral de subida na pressão sobre os preços nos últimos meses.

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Written by Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.