Euro recupera confiança após alívio da tensão em Itália; venda no mercado emergente continua

Enrique Díaz-Álvarez05/Jun/2018Análise do Mercado de Câmbios

Apesar da elevada volatilidade do mercado nos últimos dias, as divisas do G10 terminaram a semana perto dos níveis em que tinham começado. Mais uma vez, os titulares políticos de Itália foram o centro das atenções e as notícias positivas, tanto da zona euro como dos EUA, foram, em grande medida, ignoradas pelo mercado. É provável que a Itália evite eleições repentinas depois da formação de um governo populista que parece renunciar à saída do euro. Estas notícias permitiram que os títulos da dívida soberana italiana recuperassem aproximadamente metade do terreno perdido desde o início da crise e ajudaram o euro a registar uma modesta recuperação face ao dólar. Todas as restantes divisas europeias seguiram os mesmos passos, à exceção da coroa sueca.

Os dados desta semana serão bastante tranquilos, pelo que esperamos que o mercado de divisas seja impulsionado pelas notícias políticas de Itália. No curto prazo, a ausência de titulares políticos dramáticos poderá impulsionar o euro, particularmente depois das notícias relativamente positivas sobre a inflação da semana passada.

EUR

Tanto a crise política italiana como a espanhola parecem ter-se resolvido, pelo menos no curto prazo. Em Itália, formou-se um governo populista de direita no qual o controverso economista “anti-euro”, Paolo Savona, não será Ministro da Economia e Finanças, cargo que será ocupado por Giovanni Tria. Este último afirmou que “nenhuma força política” em Itália quer sair do euro. Em Espanha, o socialista Pedro Sánchez substituiu Mariano Rajoy como Presidente do Governo, no seguimento de uma moção de censura, embora não esteja claro quanto tempo passará até que sejam convocadas novas eleições, tendo em conta o fraco apoio parlamentar ao novo governo.

Algumas boas notícias económicas da zona euro passaram despercebidas durante a semana passada. A inflação subjacente do mês de maio recuperou fortemente, embora partindo de valores bastante fracos em abril. Continuamos a observar de muito perto este indicador económico fundamental, que determinará o calendário para qualquer ajuste da política monetária da zona euro.

GBP

Na ausência da publicação de dados de primeiro nível e de quaisquer notícias sobre as negociações do Brexit, a libra manteve, em grande medida, o comportamento do euro, em resposta às notícias da política italiana e aos mercados de dívida soberana. Esta semana não deverá ser muito diferente, apesar de os índices de atividade empresarial PMI, que serão conhecidos na terça-feira, proporcionarem uma leitura prévia do crescimento no segundo trimestre.

USD

O relatório do emprego nos EUA relativo a maio constituiu uma agradável surpresa sob todos os aspetos. Além dos dados surpreendentemente sólidos relativos à criação de emprego, a participação laboral aumentou e os salários também conseguiram surpreender pela positiva. É impressionante ver tal força no emprego tão tarde no ciclo de crescimento. A notícia serviu para deter o avanço do euro e levar os títulos do Tesouro norte-americano a 10 anos para valores acima do nível de 2,90, depois da extraordinária queda de 3,12 para 2,76 registada em apenas duas semanas.

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Written by Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.