Dólar volta a subir com registo de novos máximos nos juros das obrigações norte-americanas

Enrique Díaz-Álvarez21/Mai/2018Análise do Mercado de Câmbios

Temos vindo a destacar a importância do teto psicológico de 3% nas taxas de rendibilidade (yields) dos títulos do Tesouro norte-americano a 10 anos – possivelmente a taxa de juro mais observada do mundo. Na passada semana, o movimento de venda massiva de obrigações do Tesouro dos EUA forçou uma quebra taxativa em alta daquele limiar, pela primeira vez em sete anos. Os mercados reagiram como seria de esperar: os investidores fugiram dos ativos de risco e o Dólar valorizou fortemente face às suas principais congéneres mundiais.

As moedas dos mercados emergentes apresentaram um desempenho especialmente negativo na semana passada, penalizadas pela subida do Dólar e pela fuga dos investidores dos ativos de risco. As moedas da América Latina foram severamente castigadas, tendo o Real do Brasil e os Pesos colombiano, chileno e mexicano perdido mais de 2% durante a semana.

Numa semana que carece de grandes notícias económicas ou de política monetária para as moedas do G4, os mercados estarão particularmente atentos à evolução da situação em Itália, onde a coligação de partidos populistas de direita, aparentemente prestes a formar governo, está a apresentar propostas políticas preocupantes (ainda que, até agora, vagas), suscetíveis de colocar o país em rota de colisão com as instituições europeias.

EUR

O PIB alemão ficou um pouco aquém das expectativas, mas esse facto acabou por ser relegado para segundo plano pelas notícias vindas de Itália. Os partidos populistas de direita chegaram a acordo sobre quem ocupará o cargo de primeiro-ministro. Resta agora saber como as posições anti-euro, assumidas no passado por ambos os partidos, se irão refletir no programa final do Governo. Neste sentido, há que destacar que os obstáculos mais diretos à permanência da Itália no Euro parecem ter sido deixados de fora do acordo de princípio final. Continuamos assim otimistas quanto ao confronto entre o novo governo italiano e as instituições europeias. Ficaremos, contudo, muito atentos aos diferenciais entre as obrigações alemãs e italianas, que voltaram a ser um fator de peso na negociação do Euro.

GBP

A Libra resistiu à subida do Dólar melhor do que qualquer outra moeda do G10, com exceção do Franco suíço. O forte crescimento do emprego, em março, e o incremento nos salários para uma taxa anualizada de 2,9%, a juntar à ausência de notícias negativas sobre as negociações do Brexit, serviram de suporte à Libra.

A semana que se inicia é determinante para a Libra. Na quarta-feira, será conhecido o relatório da inflação referente a abril, seguindo-se os dados das vendas a retalho na quinta-feira. Depois de o Banco de Inglaterra ter deixado bem claro que só serão decididos novos aumentos das taxas de juro se sustentados pelos dados económicos, é de esperar que a Libra transacione com bastante volatilidade após a divulgação de qualquer dado importante.

USD

O presidente do Banco da Reserva Federal (Fed) de São Francisco, John Williams, fez disparar os juros da dívida dos EUA, na passada semana, ao sugerir que a Fed poderá alterar as orientações futuras assim que a política monetária regressar a um cenário mais neutral. Quando a taxa de juro (yield) dos títulos do Tesouro a 10 anos superou taxativamente o patamar de 3%, o Dólar dos EUA retomou a trajetória de subida.

Esta semana, o principal acontecimento a nível macroeconómico é a divulgação das actas da última reunião da Reserva Federal, na quarta-feira.

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Escrito por Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.