Subida do Dólar interrompida após divulgação de dados de inflação fracos nos EUA

Enrique Díaz-Álvarez14/May/2018Análise do Mercado de Câmbios

As principais moedas do G10 transacionaram num intervalo estreito durante a passada semana. A recuperação do Dólar foi temporariamente interrompida com a publicação de dados da inflação abaixo do esperado nos EUA e leilões de títulos do Tesouro, bem recebidos no mercado, que limitaram a subida das taxas da dívida norte-americana. Esta subida tem funcionado como o principal impulsionador da recuperação do Dólar desde meados de abril.

Porém, foi noutras geografias que se observaram os comportamentos mais interessantes dos mercados cambiais. A Coroa sueca apresentou o seu melhor desempenho entre as moedas do G10, ao recuperar dos recentes níveis muito baixos depois de a taxa de inflação ter (finalmente) atingido os valores esperados. Quanto às moedas dos mercados emergentes, temos assistido a fortes oscilações de preço, ainda que a direção global não seja clara e os movimentos dependam, em grande medida, de preocupações de natureza local. Nesse contexto, o Rand da África do Sul ganhou 2% face ao Dólar, enquanto a Lira turca evoluiu na direção oposta.

Numa semana de agenda pouco preenchida, o destaque vai para o relatório do mercado de trabalho no Reino Unido, divulgado na terça-feira, que adquire uma importância acrescida depois de o Banco de Inglaterra ter deixado bem claro que os futuros aumentos das taxas de juro irão depender inteiramente dos dados publicados.

EUR

A semana que passou foi muito escassa em dados económicos para a Zona Euro e o cenário não será muito diferente na semana que agora se inicia. Será, sem dúvida, interessante observar a reação do Euro à coligação populista, que parece estar prestes a formar governo em Itália. Até ao momento, a reação dos mercados cambiais tem sido extremamente discreta, não sendo de esperar qualquer alteração neste sentido. Todas as indicações que nos têm chegado de Itália são no sentido de que o governo populista não irá representar um grande desafio para as instituições europeias e tentará, antes, lançar programas razoáveis, cujas implicações não irão além de um agravamento moderado do défice público.

GBP

Na semana passada, o Banco de Inglaterra manteve as taxas diretoras inalteradas, não obstante os dois votos a favor de um aumento imediato dos juros. Além disso, foram revistas em baixa as projeções de crescimento da economia para 2018 (de 1,8% para 1,4%), assim como as expectativas para a inflação. Face a um tal desenvolvimento, associado a uma política monetária mais moderada, o mercado reduziu de imediato as suas expectativas de futuros aumentos das taxas de juro. Assim, uma eventual alteração em junho tem agora apenas 10% de probabilidades.

Neste contexto, a divulgação dos dados económicos adquire uma importância ainda maior. A grande questão é saber até que ponto o abrandamento da economia no primeiro trimestre se deve efetivamente às condições meteorológicas – uma questão que o relatório do mercado de trabalho publicado esta terça-feira deverá ajudar a explicar.

USD

O índice total de inflação subiu para 2,5%, em abril, mas os restantes dados do relatório ficaram abaixo do esperado. Assim, a inflação subjacente, que exclui as componentes voláteis da alimentação e da energia, registou apenas um incremento de 0,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior, perfazendo um aumento anual de 2,1%.

Quanto à taxa (yield) dos títulos do Tesouro norte-americanos a 10 anos, uma referência do mercado, continua bastante abaixo da barreira psicológica de 3%. Apesar de se esperar uma tendência moderadamente altista do Dólar ao longo dos próximos meses, consideramos que esta taxa de juro terá de quebrar claramente em alta os 3%, para que o Dólar retome o movimento de recuperação.

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Written by Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.