Subida das taxas da dívida norte-americana e dados económicos fortes fazem disparar Dólar

Enrique Díaz-Álvarez30/Apr/2018Análise do Mercado de Câmbios

O Dólar voltou a subir e quebrou o limite inferior do intervalo de negociação que mantinha face ao Euro, um movimento que dificilmente pode ser explicado por uma única razão. Aparentemente, as surpresas positivas nos dados económicos de segunda linha publicados para os EUA foram suficientes para assustar as posições curtas, há muito no mercado, e para forçar uma subida do Dólar face a todas as moedas do G10 e dos principais mercados emergentes. A Lira turca foi uma exceção a este movimento, por motivos idiossincrásicos, tendo terminado a semana em níveis máximos, na sequência do grande aumento das taxas de juro de referência por parte do banco central da Turquia.

Esta semana dá a conhecer uma série variada de dados económicos e de política monetária. Além da reunião da Reserva Federal, na quarta-feira, decorrem as reuniões dos bancos centrais da Austrália, na terça-feira, e da Noruega, na quinta-feira. Quanto à publicação de dados, os dois destaques da semana são as estimativas da inflação de abril na Zona Euro e o relatório mensal do emprego dos EUA, ambos na quinta-feira.

EUR

A reunião de abril do Banco Central Europeu (BCE), na passada semana, passou em branco. Tanto o Conselho como o Presidente Mario Draghi esforçaram-se por evitar a divulgação de qualquer dado novo sobre as perspetivas de evolução das taxas de juro. O comunicado foi, no essencial, uma cópia do da reunião anterior e não foram divulgadas quaisquer previsões. Os dados preliminares dos índices PMI de atividade das empresas, para abril, também não apresentaram grandes alterações em relação ao mês anterior, o que deixou o Euro à mercê do receio em torno do aumento das taxas de juro nos EUA, enquanto as posições longas que os operadores de mercado detêm massivamente nesta divisa continuaram a ser liquidadas, forçando a moeda única a descer abaixo do seu intervalo de negociação das últimas semanas.

GBP

As hipóteses de um aumento das taxas de juro por parte do Banco de Inglaterra, em maio, ficaram praticamente afastadas, na passada semana, após a publicação de dados preliminares que apontam para o fraco crescimento do PIB no primeiro trimestre. O crescimento anual caiu de 1,4% no trimestre anterior para 1,2%, o mais fraco entre as principais áreas económicas. Embora o relatório preliminar não ofereça muitos detalhes, espera-se que esta debilidade seja temporária e já se tenha dissipado por completo no próximo trimestre. Por conseguinte, consideramos que a recente depreciação da Libra é excessiva, sendo possível que se venha a verificar um ressalto, em especial face ao Euro.

USD

Os indicadores económicos publicados na semana passada nos EUA, superaram, na sua maioria, todas as expectativas, sendo de destacar o crescimento do PIB no primeiro trimestre, à taxa anualizada de 2,3%. Por outro lado, as taxas de rendibilidade (yields) das obrigações soberanas dos EUA a 10 anos não conseguiram permanecer acima dos 3%. Os investidores no Dólar continuaram a cobrir as suas posições curtas e suportaram o Dólar acima dos recentes intervalos de negociação. É pouco provável que a pressão de subida sobre a moeda norte-americana diminua ao longo da semana. O Comité da Reserva Federal (FOMC) deverá, em nosso entender, reiterar a mensagem da reunião anterior, no sentido de que a conjugação de dados económicos fortes e estímulos fiscais continuará a justificar o aumento das taxas de juro de referência. Na sexta-feira, o relatório do mercado de trabalho referente ao mês de abril deverá trazer mais boas notícias em termos de criação de emprego e crescimento dos salários.

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Written by Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.