Subida dos preços do petróleo faz disparar moedas ligadas às matérias-primas; rublo afunda.

Enrique Díaz-Álvarez16/Apr/2018Análise do Mercado de Câmbios

Com a cotação do Euro/Dólar retida num intervalo estreito, a atividade dos mercados cambiais na passada semana manteve-se afastada dos pares de moedas mais transacionados. A situação geopolítica fez disparar os preços dos produtos de base, arrastando nessa subida as moedas dos países exportadores das ditas matérias-primas. No G10, isto traduziu-se em ganhos para os Dólares australiano, canadiano e neozelandês. No entanto, os dois maiores movimentos da semana pertenceram ao Peso colombiano, que beneficiou da subida abrupta do preço do petróleo, impulsionada pelas tensões entre os EUA e a Rússia, e à moeda russa, que perdeu quase 7% com o anúncio de sanções mais duras do que se previa por parte dos EUA.

A semana que se inicia traz alguns dados importantes para a Libra, nomeadamente o crescimento dos salários na terça-feira e os números da inflação na quarta-feira. De resto, prevê-se uma semana relativamente tranquila, pelo que serão os acontecimentos geopolíticos a dominar os mercados cambiais.

EUR

A queda da produção industrial na Zona Euro no mês de fevereiro pressionou uma descida ligeira do Euro, sendo por isso a última de uma série de surpresas negativas para a economia da Zona Euro. Consideramos, todavia, que ainda não é o momento de alterar as nossas previsões, tendo em conta que estas surpresas ocorrem na sequência de um período de dados excecionalmente fortes. Ainda assim, é uma tendência que vale a pena acompanhar. Numa semana de poucos dados importantes para a Europa, o Euro deverá evoluir em função de desenvolvimentos externos, na expectativa da reunião decisiva do BCE, que terá lugar em 26 de abril.

GBP

A Libra apresentou, na semana passada, o melhor desempenho entre as principais moedas do G10, suportada pela diminuição da incerteza política em torno do Brexit. A crescente convicção de que o Banco de Inglaterra subirá de novo as taxas diretoras em maio também contribuiu para o ambiente de otimismo. Os dados da inflação e do mercado de trabalho, publicados esta semana, são os últimos indicadores-chave conhecidos antes da decisão do Comité de Política Monetária. Estamos em crer que seria preciso uma surpresa negativa realmente impressionante para impedir o aumento das taxas e que a Libra deverá manter a tendência de subida face ao Euro.

USD

As atas da reunião de março da Reserva Federal, publicadas na semana passada, deixaram transparecer um tom geralmente favorável a uma política mais restritiva. A maior parte dos membros da Fed parece ter melhorado as expectativas tanto para o estado do mercado de trabalho norte-americano como para o ritmo das necessárias subidas das taxas de juro. O relatório da inflação do mês de março deu conta que a inflação subjacente (que exclui as componentes voláteis da alimentação e energia) ultrapassou a meta de 2% fixada pela Reserva Federal, pela primeira vez desde 2016.

À falta de dados macroeconómicos de relevo, esta semana as atenções viram-se para uma agenda excecionalmente muito preenchida com intervenções de membros da Fed.

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Written by Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.