Euro cai face a números de inflação dececionantes na Zona Euro e transações de fecho do mês

Enrique Díaz-Álvarez03/Apr/2018Análise do Mercado de Câmbios

É sempre difícil explicar os movimentos cambiais de final de trimestre com os fundamentais, já que, muitas vezes, isso se deve simplesmente à necessidade que os detentores de ativos têm de reequilibrar as respetivas carteiras. A subida do euro deixou muitos gestores de ativos com uma subexposição a ativos em dólares, obrigando-os a efetuar novas compras. Os fracos números da inflação na Alemanha também não ajudaram o Euro.

O aspeto mais notável da negociação nos mercados cambiais continua a ser a falta de um impacto visível entre as moedas do G10, resultante das fortes vendas (sell-off) dos ativos de risco a que temos assistido a nível mundial. Até as moedas dos mercados emergentes têm conseguido resistir extraordinariamente bem aos movimentos dos mercados acionistas. Os mercados cambiais continuam a negociar com base em fatores idiossincrásicos, ignorando a aversão ao risco presente noutros mercados. O melhor exemplo é o comportamento do Won coreano no início da semana passada, que valorizou repentinamente na sequência de notícias sobre a visita surpresa de Kim Jong-un à China e a possível diminuição dos riscos geopolíticos na península coreana que tal poderá vaticinar.

EUR

Na Alemanha, os números dececionantes do Índice de Preços no Consumidor foram provavelmente o principal fator a pesar sobre a evolução do Euro na passada semana, introduzindo risco de baixa nos dados de inflação a publicar, esta terça-feira, para toda a Zona Euro. Embora as expectativas de consenso apontem para um ligeiro incremento da inflação subjacente (índice global excluindo as componentes voláteis da alimentação e da energia) para os 1,1%, os números da Alemanha fazem-nos pensar que é mais provável que se repita o nível de 1% registado em fevereiro. Tal resultado iria seguramente pressionar o Euro para o extremo inferior do seu intervalo recente de negociação, entre 1,21 e 1,25, face ao Dólar dos EUA.

GBP

À falta da publicação de dados económicos de relevo, a Libra passou a semana da Páscoa, mais curta, a seguir o Euro face às moedas não europeias, numa trajetória descendente que a fez aproximar-se mais do nível de 1,40. O destaque desta semana é a publicação dos diferentes indicadores da atividade empresarial PMI, quarta e quinta-feira. Nesta matéria, o consenso não espera grandes surpresas, e nós também não. Assim, de momento, prevemos que se mantenha o padrão recente de negociação, em que a Libra segue muito perto do Euro face às restantes moedas principais.

USD

Na passada semana, a tendência geralmente mais forte evidenciada nos dados macroeconómicos publicados para os EUA suportou o Dólar face à maioria dos seus pares do G10. Os resultados dos inquéritos às empresas, publicados nesta segunda-feira, após os feriados da Páscoa, confirmaram esse ligeiro fortalecimento, com uma surpresa positiva especialmente forte na componente dos preços pagos. Esta semana, o Dólar deverá negociar com base em dois eventos determinantes: primeiro, a publicação da lista concreta de produtos chineses aos quais serão aplicadas tarifas alfandegárias; segundo: o relatório mensal sobre o mercado de trabalho para o mês de março. A nossa expectativa é de outro mês forte, com uma criação de emprego líquida superior a 200.000 postos de trabalho, uma descida na taxa de desemprego para 4% e, mais importante, uma ligeira aceleração do crescimento salarial para 2,8% em termos anuais.

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Written by Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.