Fortes dados económicos nos EUA travam queda do Dólar

Enrique Díaz-Álvarez05/Feb/2018Análise do Mercado de Câmbios

O Dólar dos EUA conseguiu obter, finalmente, algum alívio face à maioria dos seus pares. Além das posições muito “esticadas” resultantes de semanas de queda inexorável, o relatório do emprego norte-americano veio demonstrar que o mercado do trabalho está a criar condições para um maior crescimento dos salários – uma notícia que agradará sem dúvida à Reserva Federal. A subida acelerada das yields nos EUA penalizou os preços dos ativos a nível mundial, com os títulos do Tesouro norte-americano a 10 anos a atingirem máximos de vários anos. Nos mercados cambiais, graças à subida das yields e aos dados do emprego, o Dólar estabilizou face às moedas europeias e valorizou face à maioria das restantes divisas. O Iene japonês enfrentou momentos difíceis quando o Banco do Japão reafirmou o seu compromisso com uma política monetária expansionista ao aumentar as compras de obrigações a curto prazo. As moedas dos mercados emergentes em geral também viveram uma semana difícil, penalizadas pela subida das yields norte-americanas e pelo sentimento generalizado de aversão ao risco que se expandiu ao mercado acionista após os ganhos extraordinários dos últimos tempos.

O acontecimento decisivo desta semana para os principais mercados cambiais é a reunião do Banco de Inglaterra, na quinta-feira. Os índices PMI da atividade empresarial na Zona Euro, publicados esta segunda-feira, deverão limitar-se a confirmar as perspetivas de um forte crescimento da economia. Numa semana de poucos dados, os desenvolvimentos políticos deverão ser o principal catalisador do Dólar dos EUA.

EUR

Nada se alterou na Zona Euro na semana passada. Muito embora os índices de atividade empresarial PMI e os números do crescimento do PIB tenham confirmado a fase de forte recuperação da economia, não há indícios de qualquer efeito em termos de uma pressão consistente nos preços. A taxa de inflação subjacente de janeiro confirmou que este indicador-chave permanece longe das metas fixadas pelo BCE, penalizado pelos números fracos dos índices de preços na Alemanha.

Esta semana, não se prevê a publicação de dados de relevo para a Zona Euro, pelo que a moeda única deverá transacionar com base em acontecimentos externos. O alargamento do diferencial das yields com os EUA e o nível recorde de posições longas em Euros tornam, a nosso ver, o Euro vulnerável a um recuo significativo, no curto prazo.

GBP

Foi uma semana mista no que diz respeito aos dados macroeconómicos. Por um lado, os fracos números nos indicadores de atividade do setor da construção reavivaram as preocupações com o alargamento do diferencial de desempenho económico entre a Zona Euro e o Reino Unido. Por outro lado, com os mercados ainda centrados na ausência de más notícias sobre as negociações do Brexit e nas perspetivas de uma subida das taxas de juro no Reino Unido, a Libra ignorou os dados económicos divulgados e terminou a semana sem alterações face ao Euro e ao Dólar.

O grande destaque desta semana é a reunião de fevereiro do Banco de Inglaterra, na quinta-feira. Embora não se espere qualquer medida de relevo, os mercados vão estar particularmente atentos ao relatório da inflação, para tentar perceber quando será decidida a próxima subida das taxas de curto prazo.

USD

Os dados fortes divulgados na passada semana colocaram, finalmente, um travão na queda do Dólar dos EUA. Os dados mais relevantes foram, sem dúvida, os números surpreendentemente positivos do relatório de emprego referente ao mês de janeiro. Além de um ritmo bastante forte na criação de emprego e da baixa taxa de desemprego, assistimos finalmente a um incremento saudável no crescimento dos salários, exatamente o tipo de resultado que a Reserva Federal esperava. Os salários cresceram 2,9% em termos anuais, ultrapassando assim a taxa de inflação. Além disso, os dados anteriores foram revistos em alta.

A semana que hoje se inicia tem uma agenda relativamente pouco preenchida em termos de publicação de dados para os EUA. Antevemos uma continuação da escalada nas yields, à medida que os mercados começam a descontar quatro aumentos de 0,25% nas taxas de juro de referência da Reserva Federal em 2018, colocando assim alguma pressão de subida no Dólar dos EUA face a todos os seus pares.

 

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Written by Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.