Dólar dos EUA volta a ganhar com aproximação da grande reforma fiscal de Trump

Enrique Díaz-Álvarez18/Dec/2017Análise do Mercado de Câmbios

O Dólar dos EUA viveu dias de alguma instabilidade na passada semana. A moeda norte-americana começou por deslizar para a sua posição mais fraca em quase um mês, na sequência da reunião de dezembro da Reserva Federal, não obstante o Comité de política monetária (FOMC) ter anunciado o terceiro aumento das taxas de juro em 2017.

No entanto, no final da semana, recuperou terreno, com a expectativa de que as medidas que preveem um enorme corte nos impostos nos EUA poderão ser aprovadas até ao fim do ano. Na sexta-feira, os negociadores republicanos do Congresso deram os retoques finais na reforma fiscal que os investidores esperam venha a impulsionar o crescimento da economia norte-americana no próximo ano e acelerar o ritmo dos aumentos da taxa de juro diretora da Reserva Federal.

Numa semana plena de reuniões de bancos centrais, o Banco de Inglaterra e o Banco Central Europeu (BCE) decidiram ambos, na passada quinta-feira, manter a política monetária inalterada. O BCE reiterou uma vez mais que os aumentos das taxas de juro na Zona Euro ainda estão muito longe, enquanto o Banco de Inglaterra também denotou uma orientação bastante expansionista, alertando para a possibilidade de o crescimento da economia do Reino Unido abrandar neste último trimestre do ano.

Esta semana, dada a proximidade dos feriados da época, deverá ser um pouco mais tranquila para os mercados cambiais, além de pouco preenchida em matéria de divulgação de dados, sendo os principais destaques a publicação das taxas de inflação da Zona Euro, esta manhã, e os números do crescimento económico dos EUA, na quinta-feira.

GBP

A Libra Esterlina recebeu pouco suporte da última reunião de política monetária do Banco de Inglaterra, tendo ainda a recuperação do Dólar em final de semana contribuído para que aquela moeda terminasse a semana a perder cerca de meio ponto percentual.

Numa reunião que não trouxe qualquer surpresa, o Banco de Inglaterra manteve praticamente o discurso habitual e pouco acrescentou de novo. As atas da reunião continuaram a sublinhar que as taxas de juro deverão subir gradualmente, embora se alerte para um possível abrandamento do crescimento no último trimestre no ano, em comparação com o trimestre anterior. A ideia geral a reter é que o Banco de Inglaterra continua sem pressa em decidir um novo aumento das taxas e afigura-se pouco provável qualquer alteração nesta matéria, pelo menos, antes do segundo semestre do próximo ano.

EUR

O BCE também pouco acrescentou na sua reunião da passada semana, mantendo a política monetária inalterada e destacando que os aumentos das taxas de juro na Zona Euro ainda vêm longe.

Não obstante uma revisão em alta relativamente acentuada das previsões do crescimento económico, os investidores concentraram-se no comentário de Mario Draghi de que continua a ser necessário «o apoio de uma política monetária muito expansionista» para fazer subir a inflação. O banco central reiterou igualmente a sua orientação de que as taxas de juro vão «permanecer nos níveis atuais durante um período alargado e muito para além do fim das compras líquidas de ativos». Entendemos que a perspetiva de manutenção das taxas até, possivelmente, 2019 deverá pressionar a moeda única a descer face a quase todos os seus principais pares nos próximos meses.

USD

A Reserva Federal, na passada quarta-feira, tal como estava totalmente descontado pelo mercado antes da reunião, decidiu subir as taxas de juro, pela terceira vez em 2017, em 25 pontos base.

Este banco central voltou a destacar a força do mercado de trabalho e o crescimento do consumo privado e do investimento das empresas, enquanto o mais recente gráfico “dot plot” mostrou que os responsáveis pela política monetária mantêm as expectativas de subir as taxas de juro três vezes em 2018 e duas vezes em 2019, exatamente como nas projeções de setembro. Por outro lado, os operadores do mercado optaram por se concentrar nos dois membros do Comité que votaram a favor da manutenção das taxas de juro. Sabendo-se que são ambos reconhecidos defensores de uma orientação mais expansionista, a reação do Dólar foi um tanto injustificada e, dado que os mercados ainda só descontaram dois aumentos das taxas em 2018, consideramos que há margem para uma apreciação da moeda norte-americana no próximo ano.

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Written by Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.