Reserva Federal sobe taxa de juro e mantém projeções de futuros aumentos praticamente inalteradas

Enrique Díaz-Álvarez14/Dec/2017Análise do Mercado de Câmbios

Na reunião de dezembro, realizada esta quarta-feira, a Reserva Federal decidiu subir as taxas de juro pela terceira vez este ano, como se esperava, mantendo as expectativas de aumentos dos juros em 2018 praticamente inalteradas.

O banco central dos EUA subiu a sua taxa diretora (“Fed funds rate”) em 25 pontos base para um intervalo entre 1,25% e 1,5%, correspondendo assim às expectativas do consenso, numa decisão quase unânime em que apenas dois dos membros do Comité de política monetária não votaram a favor de um aumento imediato das taxas. Tendo em conta que, antes da reunião, o mercado já tinha descontado na totalidade a subida dos juros em dezembro, os investidores concentraram-se no tom geral das comunicações da presidente demissionária Janet Yellen, tanto na declaração final como na conferência de imprensa, bem como na divulgação do mais recente gráfico “dot plot”.

A declaração propriamente dita não sofreu grandes alterações em relação à da reunião de novembro. Os responsáveis pela política monetária voltaram a referir a força do mercado de trabalho e o crescimento do consumo privado e do investimento das empresas. Embora as previsões para a inflação se tenham mantido inalteradas, o banco central espera agora que a economia norte-americana cresça 2,5% em 2018, uma revisão em alta significativa dos 2,1% anteriormente previstos.

Na sua última conferência de imprensa como presidente da Reserva Federal, antes de ser substituída por Jerome Powell em fevereiro, Janet Yellen manteve o tom positivo quando falou sobre o estado da economia norte-americana, dizendo que está a apresentar “um bom desempenho”. Declarou igualmente que as alterações no quadro fiscal introduzidas pela Administração Trump, a serem efetivamente implementadas, tenderão a contribuir para “um pequeno aumento do crescimento do PIB nos próximos anos”.

Quanto ao mais recente gráfico “dot plot”, que representa as expectativas de cada membro do Comité para o nível das taxas de juro no final de cada ano, continua a indicar que os responsáveis pela política monetária esperam múltiplos aumentos das taxas durante o próximo ano. A previsão média dos aumentos mostra que a Fed mantém as expectativas de subir as taxas três vezes em 2018 e duas vezes em 2019 (Figura 1), exatamente como nas últimas projeções apresentadas em setembro.

Figura 1: Gráfico “dot plot” de dezembro do Comité FOMC

Fonte: Reserva Federal Data: 13/12/2017

Não obstante o tom mais interventivo assumido pela Fed, esta quarta-feira, o Dólar caiu mais de metade de um ponto percentual face a quase todos os seus pares principais, logo a seguir à reunião (Figura 2), num contexto em que os mercados cambiais optaram por se concentrar nos dois membros do Comité que votaram a favor da manutenção das taxas de juro. No entanto, tendo em conta que esses dois membros são reconhecidos defensores de uma política expansionista, consideramos que aquela reação foi um tanto injustificada e não deverá ter um impacto relevante no ritmo dos futuros aumentos das taxas nos EUA durante os próximos meses.

Figura 2: EUR/USD e GBP/USD (13/12/2017 – 14/12/2017)

Fonte: Thomson Reuters Datastream Data: 14/12/2017

Mais relevante para a evolução do Dólar dos EUA é o facto de o mercado ainda só ter descontado dois aumentos das taxas norte-americanas em 2018: um em março e outro em setembro. Esta perspetiva continua a incorporar um ritmo mais lento do que o gráfico “dot plot” da Fed sugere, pelo que, a nosso ver, há margem para apreciação da moeda norte-americana no próximo ano, à medida que as expectativas do mercado se forem aproximando das projeções do Comité FOMC.

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Written by Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.