Subida acentuada do Dólar com mercado a valorizar estímulos fiscais e aumento das taxas da Reserva Federal

Enrique Díaz-Álvarez11/Dec/2017Análise do Mercado de Câmbios

O Dólar apresentou o melhor desempenho entre as moedas do G10 durante a passada semana. Os mercados reagiram à notícia de que o Senado norte-americano tinha aprovado uma versão do projeto-lei da reforma fiscal no fim-de-semana, aumentando assim as probabilidades de se chegar a acordo quanto a uma versão final antes do final do ano. Desse contexto resultou um alargamento contínuo dos diferenciais das taxas de juro, que impulsionou uma subida acentuada do Dólar face a todas as moedas do G10.

Na semana passada, o Dólar também valorizou face a todas as principais moedas dos mercados emergentes, com exceção do Rand da África do Sul e da Lira turca. Esta última apresentou um desempenho excecional e foi, de longe, o vencedor da semana, impulsionada por desenvolvimentos no julgamento de Reza Zarrab nos EUA e pelo discurso mais interventivo do banco central da Turquia.

A semana que hoje se inicia deverá ser de volatilidade nos mercados cambiais, tendo em conta as reuniões de bancos centrais em agenda, nomeadamente, da Reserva Federal, do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco de Inglaterra. Assim, no final da semana, devemos ter uma visão mais clara sobre as perspetivas de uma política monetária mais restritiva nos EUA e no Reino Unido.

EUR

Os números da produção industrial, publicados pela Alemanha, ficaram aquém das expectativas, o que provavelmente reforçou a pressão vendedora sobre o Euro. No entanto, isso não altera o facto de a economia da Zona Euro estar a acelerar, apesar de não desenvolver pressões inflacionistas.

Tal como no Reino Unido, o destaque da semana é a reunião do banco central na quinta-feira e, em particular, as declarações do Conselho de Governadores, ainda que, também neste caso, não se espere qualquer alteração no rumo da política monetária. A questão central será a atualização das previsões macroeconómicas do BCE, mais precisamente a revisão das expectativas para a inflação, tendo em conta os números dececionantes da inflação subjacente, publicados nos últimos meses.

GBP

A Libra Esterlina recebeu algum suporte da notícia de que o Reino Unido e a Comissão Europeia tinham chegado a acordo para passarem à fase seguinte das negociações do Brexit, em que será discutida a relação comercial, depois de terem alcançado um acordo de princípio sobre os cidadãos da UE no Reino Unido, a fatura do “divórcio” a pagar pelo Reino Unido e a situação da fronteira com a Irlanda. A notícia do acordo não teve, contudo, grande influência na evolução do par GBP/USD, um caso evidente de negociação sob a máxima “buy the rumor, sell the news”. Ainda assim, a Libra apresentou um desempenho razoável face ao Euro.

As atenções viram-se agora para a reunião do Banco de Inglaterra, na quinta-feira. Muito embora as expectativas apontem para que a política monetária se mantenha inalterada, as declarações emitidas pelo Comité de Política Monetária serão decisivas para a evolução da Libra neste final de ano. Nomeadamente, qualquer sinal de que os membros de orientação mais expansionista, como Ramsden e McCafferty, tenham abrandado a sua oposição a mais aumentos das taxas de juro, poderá dar um impulso significativo na Libra.

USD

O relatório do mercado de trabalho norte-americano, referente a novembro, esteve em consonância com os dados macroeconómicos recentemente publicados. Ainda que os números totais tenham ficado acima das estimativas, não se registou um aumento da pressão sobre os salários. Esta conjugação de fatores, crescimento razoavelmente positivo e ausência de pressões inflacionistas claras, deverá ser suficiente para garantir um aumento de 25 pontos base nas taxas de juro, na reunião de quarta-feira, bem como aumentos graduais, no futuro. Os mercados estão a incorporar lentamente esta perspectiva, devendo a consequente pressão de subida que se fará sentir sobre as taxas de juro de curto prazo norte-americanas oferecer suporte ao Dólar dos EUA, no próximo ano. À semelhança do BCE, o facto mais relevante da reunião desta semana será as expectativas da Fed para o futuro crescimento da economia, a inflação e as taxas.

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Written by Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.