Reserva Federal prepara-se para o terceiro aumento das taxas em 2017, com mais aumentos no horizonte

Enrique Díaz-Álvarez11/Dec/2017Análise do Mercado de Câmbios

A Reserva Federal (Fed) mantém-se firmemente na rota para aumentar as taxas de juro pela terceira vez este ano, na sua reunião de dezembro, marcada para esta semana, prosseguindo assim a normalização gradual da sua política monetária.

Após algumas semanas de dados económicos impressionantes para os EUA e um discurso num tom globalmente mais agressivo por parte de uma série de nomes influentes do Comité FOMC, o mercado de futuros das taxas da Fed aponta para uma probabilidade de quase 100% de aumento das taxas de juro nesta quarta-feira. Na reunião de novembro, a Fed manteve as taxas inalteradas no intervalo de 1-1,25%, embora tenha assumido um tom mais interventivo com base no fortalecimento do mercado de trabalho. Declarou também, nessa ocasião, que a atividade económica tinha vindo a subir a uma taxa consistente, não obstante as perturbações causadas pelos furacões. A presidente demissionária Janet Yellen adotou um tom igualmente otimista quando se pronunciou sobre o estado da economia norte-americana, na mais recente apresentação perante o Congresso, no contexto da habitual audição bianual.

Os dados económicos impressionantes recentemente publicados parecem dar como praticamente garantido o aumento das taxas da Fed. A expansão da economia norte-americana foi revista em alta para uma taxa anualizada de 3,3%, no terceiro trimestre do ano, sendo este o ritmo de crescimento mais rápido dos últimos três anos. No terceiro trimestre de 2017, uma procura interna robusta foi igualmente suportada pela forte expansão registada no investimento das empresas. O relatório do mercado de trabalho, publicado na passada semana, foi de um modo geral animador. A economia norte-americana criou um número impressionante de 228.000 empregos em novembro, após o recorde dos últimos 13 meses, atingido em outubro, com a criação de 244.000 postos de trabalho. O crescimento salarial ficou um pouco aquém das expectativas, apesar de os salários terem continuado a aumentar no mês passado e de, anualmente, o crescimento do salário/hora ter recuperado para uns saudáveis 2,5%, bem acima do nível da inflação.

Com o aumento de 25 pontos base da taxa de referência da Fed praticamente garantido, o Dólar dos EUA será influenciado pelo tom das declarações e pela publicação do mais recente gráfico “dot plot”, o que deverá dar uma visão mais clara quanto ao ritmo de medidas restritivas adicionais em 2018. Consideramos que o comunicado final e o discurso de Janet Yellen deverão manter o tom otimista, reconhecendo a recuperação do mercado de trabalho, após a quebra induzida pelo efeito dos furacões em setembro, e a confiança reforçada de que a inflação regressará à meta fixada no período previsional.

Quanto ao gráfico “‘dot plot”, que representa as estimativas dos vários membros do Comité da Fed para o nível das taxas de juro no final de cada ano, não se antecipam grandes alterações em relação ao apresentado na reunião de setembro da Fed. Em setembro, a média das projeções indicava que o Comité FOMC prevê cerca de três aumentos das taxas de juro no próximo ano, em consonância com as expectativas de subida da inflação. A taxa de inflação total regressou a um nível acima de 2%, enquanto a inflação subjacente (variação do índice de preços no consumidor, excluindo alimentação e energia) voltou a subir para 1,8%, em outubro (Figura 1), atingindo um máximo de seis meses, muito perto da meta fixada pela Reserva Federal. Vale a pena referir que Randal Quarles, defensor de uma política de taxas de juro mais agressiva, vai substituir o governador demissionário Stanley Fischer no Conselho, pela primeira vez, este mês, o que poderá contribuir para elevar ligeiramente a previsão média das taxas em 2018.

Figura 1: Dólar 

Além disso, desde a reunião de outubro, o Congresso de maioria republicana ficou muito mais perto de aprovar a lei da reforma fiscal, que contempla uma redução significativa dos impostos sobre as empresas. No curto prazo, essas medidas representam um estímulo líquido à economia norte-americana de cerca de 0,5% do PIB, só em 2018. Os representantes da Fed têm vindo repetidamente a exprimir o seu desagrado face a um estímulo que consideram inoportuno, sugerindo que, em consequência, as taxas terão de subir mais do que seria necessário.

Se a Fed sinalizar que se mantêm as probabilidades de três aumentos das taxas em 2018, mais investidores irão antecipar a próxima subida dos juros para o primeiro trimestre do próximo ano. Consideramos que, até à reunião da Fed, os riscos para o Dólar dos EUA tendem ligeiramente para uma evolução positiva. No nosso ponto de vista, os mercados financeiros continuam a subavaliar o ritmo dos aumentos das taxas no período previsional, existindo uma clara divergência entre as expectativas do mercado e as da Fed em relação a futuros aumentos (Figura 2).

Figura 2: Gráfico “‘dot plot”

 

 

 

 

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Written by Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.