Moedas mantêm intervalos de negociação com mercados na expectativa das comunicações dos bancos centrais esta semana

Enrique Díaz-Álvarez14/Nov/2017Análise do Mercado de Câmbios

Na passada semana, quase todas as principais moedas continuaram a negociar dentro de intervalos estreitos. O Dólar fechou a semana a perder face às restantes moedas do G10, mas todos os pares terminaram o período num intervalo de 1% em relação ao ponto em que haviam começado. O melhor desempenho da semana foi para a Libra, que recuperou com base em dados económicos mais fortes do que se esperava.

Para esta terça-feira estão agendados discursos dos presidentes do Banco de Inglaterra, Banco do Japão, Reserva Federal e de governadores do Banco Central Europeu, no âmbito de uma conferência sobre política monetária, patrocinada por esta última instituição. É de esperar que os mercados analisem as intervenções ao pormenor em busca de pistas. Os dados da inflação nos EUA, publicados na quarta-feira, também deverão gerar alguma volatilidade nos mercados cambiais.

EUR

A Comissão Europeia alcançou finalmente o resto do mercado e procedeu a uma revisão em alta acentuada das previsões de crescimento económico. As vendas a retalho na Zona Euro registaram igualmente um forte crescimento em setembro. Estes dados não surpreenderam, todavia, os mercados, tendo em conta que estes já incorporaram um crescimento superior a 2% para os próximos dois anos. Para os mercados cambiais, a política do BCE é um fator muito mais importante e os últimos dados da inflação abaixo das expectativas tornaram muito improvável uma subida das taxas de juro do BCE antes de meados de 2019, no mínimo. O discurso do Presidente Mario Draghi, na conferência desta terça-feira, deverá clarificar esta postura de “esperar para ver”, com um possível impacto negativo na moeda única.

GBP

A produção do setor industrial registou um crescimento muito rápido em setembro, acima das estimativas dos economistas, impulsionada pelo aumento acentuado do produto da indústria transformadora. Em contrapartida, os resultados do setor da construção foram dececionantes. A recuperação da Libra poderá dever-se tanto à publicação de dados relativamente fortes como às expectativas do mercado de que as declarações do Banco de Inglaterra, esta semana, assumam um tom mais agressivo. Além da participação do Governador Mark Carney no painel do BCE, na terça-feira, estão previstos discursos de três outros membros do Comité de Política Monetária. Na sexta-feira, já deveremos perceber melhor se a leitura expansionista que os mercados fizeram da última reunião do Banco de Inglaterra estava certa e se o Comité de Política Monetária espera mesmo fazer uma pausa após mais uma subida das taxas de juro, no máximo, como os mercados têm vindo a descontar.

USD

A total ausência de dados macroeconómicos de primeira grandeza nos EUA deixou os operadores do mercado concentrados no percurso sinuoso do pacote de medidas fiscais pelos meandros do Congresso norte-americano. Não se prevendo desenvolvimentos de relevo nesta frente, ao longo da semana, o Dólar deverá reagir a dois acontecimentos importantes: na terça-feira, a presidente da Reserva Federal, Janet Yellen, deverá dar mais pistas sobre a futura evolução das taxas de juro, após a muito esperada subida em dezembro, e, na quarta-feira, serão publicados os dados da variação dos índices de preços no consumidor, referentes ao mês de outubro. O número mais importante será o aumento da taxa de inflação subjacente, que exclui os preços da alimentação e da energia. Nos últimos meses, esta taxa tem permanecido no nível de 1,7% anualizados e qualquer aumento daria um bom suporte ao Dólar.

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Written by Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.