Subida do Dólar ganha força com consenso do mercado sobre aumento dos juros em dezembro

Enrique Díaz-Álvarez09/Oct/2017Análise do Mercado de Câmbios

Na passada semana, o Dólar dos EUA prosseguiu o movimento de valorização face a quase todas as principais divisas. No início da semana, a crise constitucional em Espanha, sobre a questão da Catalunha, desencadeou alguns fluxos de capitais que procuraram refúgio na moeda norte-americana. Os bons dados macroeconómicos e sinais de uma pressão de subida sobre o índice de preços nos EUA foram igualmente relevantes, tendo o Dólar terminado a semana nos níveis mais elevados desde julho.

A moeda que mais perdeu, na semana passada, foi a Libra, num contexto em que a desunião no seio do Partido Conservador e a liderança debilitada de Theresa May levantaram dúvidas sobre a capacidade do Reino Unido para chegar a um acordo razoável nas negociações do Brexit, até ao fim do prazo, em março de 2019.

O principal evento de risco para os mercados cambiais, esta semana, é a publicação dos dados da inflação nos EUA, na sexta-feira. A eventual subida da taxa de inflação subjacente poderá ser decisiva para o aumento dos juros na reunião de dezembro da Reserva Federal. Os mercados vão manter-se igualmente atentos à crise que se desenrola em Espanha e que poderá penalizar o Euro.

EUR

Na falta de notícias relevantes sobre o estado da economia ou o BCE, o Euro negociou sobretudo em reação aos fortes dados económicos publicados nos EUA, sempre atento à crise constitucional em Espanha sobre o estatuto da Catalunha. Até agora, o impacto desta questão na moeda única tem sido apenas ligeiramente negativo. No entanto, a concretizar-se a declaração unilateral de independência esta semana, a situação poderá agravar-se, intensificando rapidamente a pressão negativa. Além dos títulos políticos, os mercados estarão igualmente atentos ao relatório de produção industrial, a publicar esta quinta-feira, e a eventuais sinais de progresso nas negociações para a coligação governamental na Alemanha.

GBP

O discurso atribulado de Theresa May no congresso do Partido Conservador, na passada semana, suscitou novas dúvidas sobre a solidez da sua posição como primeira-ministra, entre rumores persistentes sobre a falta de apoio por parte dos deputados conservadores. A reação dos mercados não se fez esperar e a Libra apresentou o pior desempenho da semana entre as principais divisas. Face a uma semana pouco preenchida em matéria de divulgação de dados, a expectativa é que a Libra transacione com base em informações e notícias sobre a quinta ronda de negociações do Brexit que hoje se inicia.

USD

O relatório do mercado de trabalho referente ao mês de setembro sofreu o impacto dos efeitos negativos da passagem dos furacões nos EUA, devendo por isso ser interpretado com algum cuidado. O número negativo da criação de emprego reflete, por certo, o facto de muitas empresas nos estados do Texas e da Florida ainda não terem conseguido retomar a plena atividade. Mais significativo é, talvez, o grande salto no crescimento dos salários, fazendo o mercado elevar as probabilidades de aumento das taxas de juro em dezembro para mais de 80%. Consideramos que se deve ignorar, em grande medida, este relatório de emprego e aguardar a publicação do próximo para se confirmar a consolidação do muito desejado crescimento salarial.

Os números da inflação, divulgados esta semana, deverão igualmente refletir o impacto dos furacões, mas o indicador da inflação subjacente, que exclui as componentes de alimentação e energia, não deixará de ser um fator relevante.

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Written by Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.