Dólar de regresso aos ganhos enquanto Reserva Federal prepara subida das taxas de juro em dezembro

Enrique Díaz-Álvarez21/Sep/2017Análise do Mercado de Câmbios

O Dólar dos EUA disparou mais de 1% face ao Euro e à Libra, na quarta-feira, depois de a Reserva Federal (Fed) ter sinalizado a probabilidade de o terceiro aumento de taxas de juro do ano ser decidido na reunião de dezembro deste banco central.

Não obstante a taxa de inflação persistentemente abaixo da meta nos últimos meses, o Comité de política monetária (FOMC) surpreendeu o mercado ao manter inalteradas as projeções para as taxas de juro formuladas em junho. O gráfico “dot plot” da Fed, que representa as expectativas de cada membro do Comité para a evolução das taxas de juro até ao final de cada ano, continua a prever mais um aumento das taxas em 2017, seguindo-se outras três subidas em 2018. Segundo as expectativas de 11 dos 16 membros do Comité, a taxa de juro de referência deste banco central deverá situar-se entre 1,25% e 1,5% no final do corrente ano. À falta de revisão em baixa das projeções de subida dos juros – cenário para o qual o mercado se tinha preparado – a moeda norte-americana disparou acentuadamente face aos seus principais pares.

Além disso, a Reserva Federal fez uma avaliação da economia norte-americana ligeiramente mais otimista do que aquela que o mercado tinha antecipado. Muito embora o comunicado de setembro mencione especificamente os efeitos negativos dos furacões Harvey, Irma e Maria sobre a atividade económica, o Comité sinalizou que não deverá alterar a sua avaliação do curso da economia, no médio prazo. De referir ainda que, durante a conferência de imprensa, Janet Yellen não demonstrou qualquer intenção de moderar o tom otimista, destacando que a recuperação da economia continua a evoluir de forma positiva. Realçou ainda a força das exportações e do investimento das empresas, sugerindo que a “margem” de mão-de-obra não utilizada tinha praticamente desaparecido e que os números mais recentes de criação de emprego nos sectores não agrícolas estavam muito acima do nível necessário para absorver novos candidatos à procura de emprego. Apesar dos dados ligeiramente dececionantes do mercado de trabalho, publicados para o mês de agosto, a média trimestral de criação de emprego mantém-se num nível bastante sólido de 185.000 postos de trabalho– um nível que, a nosso ver, é mais do que suficiente para suportar um aperto adicional da política monetária por parte da Fed.

Os responsáveis desta autoridade monetária consideraram o desempenho da economia norte-americana suficientemente forte para suportar a retirada dos biliões de dólares que foram sendo investidos no programa de estímulos monetários, implementado na sequência da crise financeira. Quase uma década depois de ter lançado um programa de compra de ativos em grande escala, o Comité FOMC anunciou que iria dar início à normalização do seu balanço, já em outubro. O processo de redução da enorme carteira de obrigações, no valor de 4 mil milhões de dólares, deverá decorrer de forma bastante gradual, com o balanço a “normalizar em cerca de 3 mil milhões de dólares em aproximadamente três anos”. Pretende-se, assim, que os custos de financiamento aumentem de forma lenta, com um impacto mínimo na economia dos EUA.

Ficou claro que a Fed tenciona aumentar as taxas de juro na reunião de dezembro, data em que será publicado um novo conjunto de projeções económicas. Desde que as condições económicas se mantenham favoráveis, o Comité FOMC continua a prever três novas subidas das taxas em 2018, o que é um ritmo consideravelmente mais acelerado do que o mercado estava a antecipar antes da reunião de ontem. À medida que os mercados financeiros comecem a alinhar as suas expectativas de futuros aumentos das taxas com as projeções da Fed, prevê-se que o Dólar continue a valorizar face à maioria das principais moedas. As cotações dos futuros de taxas de juro ajustaram-se rapidamente à orientação mais agressiva adotada pela Fed e o mercado está agora a descontar mais de 70% de probabilidades de uma nova subida dos juros em 2017.

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Written by Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.