Libra dispara enquanto Banco de Inglaterra prepara mercados para subida das taxas de juro

Enrique Díaz-Álvarez19/Sep/2017Análise do Mercado de Câmbios

A Libra esteve em destaque numa semana bastante parada nos mercados cambiais. Há algum tempo que temos vindo a alertar para a complacência do mercado em relação a possíveis subidas das taxas de juro por parte do Banco de Inglaterra. Essas preocupações foram confirmadas na semana passada. O discurso do Comité de Política Monetária mudou definitivamente de tom e afigura-se cada vez mais provável que a maioria dos membros vote a favor do aumento da taxa diretora já na próxima reunião de novembro. A Libra apresentou o melhor desempenho semanal dos últimos anos, valorizando mais de 3% face a um cabaz ponderado de moedas de parceiros comerciais.

Do outro lado do Atlântico, os dados positivos da inflação nos EUA vieram reforçar as yields e a probabilidade de um aumento das taxas da Reserva Federal, em dezembro, além de manterem o Euro abaixo da barreira psicológica de 1,20 Dólares.

A semana que hoje se inicia é dominada por reuniões de bancos centrais: a principal será, obviamente, a reunião da Reserva Federal, na quarta-feira, mas as reuniões do Banco do Japão, do Banco da Noruega, do Banco da Indonésia e do Banco Central da África do Sul também estão em destaque.

EUR

Os únicos dados de relevo, na semana passada, para a Zona Euro foram os números da produção industrial, que corresponderam às expectativas, evidenciando um crescimento estável da indústria europeia à taxa anualizada de 3,2%. O Euro teve uma semana tranquila e negociou sobretudo em reação a desenvolvimentos externos, tentando quebrar a barreira de 1.20 face ao Dólar, tentativa essa que foi frustrada após a divulgação de dados de inflação acima das expectativas nos EUA.

Esta semana, o cenário não deverá mudar. As únicas notícias de relevo dizem respeito à divulgação dos índices de atividade PMI na Zona Euro, na próxima sexta-feira. Um fator que deverá pesar mais na tendência do Euro, a médio prazo, será o comunicado emitido pela Reserva Federal na quarta-feira. Caso o gráfico “dots plot” continue a indicar um ritmo gradual e estável de subidas das taxas nos próximos dois anos, o Euro pode ficar sob pressão no fim da semana.

GBP

A mudança clara de discurso do Comité de Política Monetária para uma política menos expansionista, assumida na reunião de quinta-feira, foi confirmada pelas declarações de um dos seus membros, Gertjan Vlieghe, na sexta-feira, de que a evolução dos dados sugere que “está a chegar o momento em que a taxa diretora terá de subir”. Vlieghe era um dos maiores defensores da política de estímulos monetários, pelo que esta mudança de opinião é muito significativa. É muito provável que, na reunião de novembro, pelo menos cinco membros do Comité votem a favor de um aumento das taxas, decidindo assim a primeira subida dos juros nos últimos dez anos.

Animada por estas notícias, a Libra disparou. De notar que o mercado está a descontar uma probabilidade de 60% de um aumento das taxas em novembro. À medida que este valor sobe até aos 100%, e a efetivar-se o aumento das taxas, a Libra poderá continuar a valorizar, em especial face ao Euro.

 

USD

A divulgação de dados mistos nos EUA fez o Dólar terminar a semana praticamente no ponto em que havia começado. Os números da inflação de agosto, acima das expectativas, publicados na quinta-feira, vieram lembrar aos mercados que as probabilidades de um aumento das taxas de juro em dezembro continuam fortes. Por outro lado, os dados das fracas vendas a retalho divulgados na sexta-feira voltaram a fazer cair o Dólar para o nível em que se encontrava no início da semana. De referir que é difícil determinar se a queda do Dólar não se deve também aos efeitos do furacão Harvey no Estado do Texas.

A reunião da Reserva Federal, esta semana é, como sempre, decisiva. Os mercados não esperam uma alteração das taxas, mas será importante perceber se os responsáveis da Fed reconhecem a subida da inflação e mantêm em aberto a possibilidade de um aumento dos juros em dezembro.

Print

Written by Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.