Dólar volta a subir com dados fortes do emprego

Enrique Díaz-Álvarez07/Aug/2017Análise do Mercado de Câmbios

Ao fim de seis semanas de constante movimento de venda (sell-off), na passada semana, o Dólar acabou por estabilizar face ao Euro, chegando mesmo a ensaiar uma meritória recuperação face às restantes moedas principais.

Os mercados cambiais começaram a semana sob o signo da fraqueza do Dólar, tendência que só foi interrompida na sexta-feira à tarde quando foi divulgado o relatório do mercado de trabalho norte-americano com dados muito positivos. Durante a tarde de sexta-feira, o Dólar deu início a uma subida impressionante, numa corrida à cobertura das posições curtas, num contexto de fragilidade típica dos mercados, no verão. A Libra foi a mais retardatária entre as moedas europeias, perante a inação e a pouca orientação do Banco de Inglaterra quanto ao futuro da sua política monetária.

Em agosto, os eventos de risco costumam amainar. Até à conferência de bancos centrais de Jackson Hole, entre os dias 24 e 26 de agosto, são poucos os dados ou anúncios importantes de política monetária que estão previstos. Espera-se assim que as próximas duas ou três semanas sejam sobretudo dominadas por fatores técnicos. Neste contexto, o nível bastante excessivo de posições longas em Euros, entre os especuladores, pode revelar-se problemático para a moeda única.

Figure 1: Posição acumulada do USD (Agosto 2016 – Agosto 2017)

Fonte: Scotiabank Date: 07/08/2017

EUR

A moeda única transacionou novamente em níveis elevados no início da semana passada. Os dados económicos foram favoráveis, embora as expectativas já apontassem, em larga medida, nesse sentido. O emprego continua a subir, a inflação subjacente consolidou-se e o crescimento do segundo trimestre atingiu uma taxa anualizada de 2,1%, a mais elevada desde o fim da crise financeira. Numa semana em que não se prevê a divulgação de dados relevantes, o Euro deverá transacionar em reação aos acontecimentos do outro lado do Atlântico.

GBP

Já se esperava a decisão do Banco de Inglaterra de manter as taxas de juro inalteradas, assim como o saldo final dos votos a favor e contra a manutenção das taxas, atualmente em 6-2. No entanto, os mercados interpretaram as palavras e a conferência de imprensa do Governador Carney como uma orientação mais expansionista. Importa, todavia, realçar que Carney reafirmou explicitamente que discorda da avaliação do mercado de que não se antecipam subidas das taxas de juro, num futuro próximo. A reação negativa da Libra parece excessiva, em especial face ao Euro.

Tendo em conta que só foram divulgados dados económicos secundários, a Libra deveria ter transacionado sobretudo em linha com a tendência do Dólar e os movimentos técnicos do mercado. Quanto a estes últimos, qualquer reequilíbrio de posições especulativas excessivas deverá ser favorável à Libra.

USD

Finalmente, o forte movimento de venda (sell-off) do Dólar terminou com a divulgação de um relatório do mercado de trabalho muito positivo. Os números da criação de emprego, crescimento dos salários, desemprego e participação da população ativa corresponderam ou superaram as expectativas, o que bate certo com outros dados recentemente divulgados (como as encomendas de bens duradouros) que registaram uma subida surpreendente.

O único impedimento a mais uma subida das taxas de juro da Reserva Federal, ainda em 2017, é a taxa de inflação baixa. A publicação do índice de preços no consumidor referente a junho, na próxima sexta-feira, será talvez a única informação de relevo numa semana parada de verão. Com as estimativas dos economistas a não preverem mais do que um aumento de 0,2% face ao mês anterior, uma surpresa pela positiva poderá ter um impacto significativo no mercado.

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Escrito por Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.