Moedas europeias a valorizar pela quarta semana consecutiva, com declarações pouco conclusivas da Reserva Federal

Enrique Díaz-Álvarez31/Jul/2017Geral

Na semana passada, as atenções concentraram-se na reunião de julho da Reserva Federal. A Fed não fugiu ao discurso habitual e deu a entender que a redução dos ativos estará para breve. No entanto, não afastou a incerteza que persiste sobre a possibilidade de mais aumentos das taxas de juro em 2017, o que foi interpretado pelos mercados cambiais como um sinal de orientação expansionista para a política monetária. O colapso dos esforços do Partido Republicano para revogar a lei da saúde do Presidente Obama colocou ainda mais pressão sobre o Dólar, que desvalorizou face a todas as moedas do G10 à exceção do Franco suíço. A moeda suíça, naquela que foi a sua pior semana dos últimos anos, foi afetada por vagas consecutivas de ordens “stop loss”, desencadeadas por rumores de futuras aquisições estrangeiras de empresas suíças.

A semana que hoje se inicia será invulgarmente agitada para os mercados cambiais. Para terça-feira está agendada a reunião do Banco da Reserva da Austrália. Para quinta-feira está prevista a reunião do Banco de Inglaterra e a publicação do respetivo relatório de inflação, o que deverá clarificar a questão dos futuros aumentos das taxas de juro. Nos EUA será conhecido o indicador de inflação preferido da Fed – o deflator do consumo privado (Personal Consumption Expenditures). Por fim, na sexta-feira, será divulgada aquela que é possivelmente a informação económica mais determinante a nível mundial: os dados do mercado de trabalho norte-americano.

EUR

Os indicadores de atividade empresarial PMI ficaram aquém das expectativas, apesar de continuarem fortes e compatíveis com uma taxa de crescimento acima de 2%. Porém, nada constituiu obstáculo à subida do Euro, que levou consigo todas as restantes moedas europeias, à exceção do Franco suíço. Hoje são publicados os dados da inflação para a Zona Euro, os últimos dados de relevo para os mercados até setembro. As apostas especulativas a favor do Euro atingiram um novo recorde na semana passada, o que constitui mais um sinal de que a valorização inexorável do Euro está a ficar “esticada”.

GBP

O crescimento da economia do Reino Unido no segundo trimestre não foi além de uns modestos 0,3%, resultando assim numa taxa de crescimento bastante decepcionante, de 1%, para o primeiro semestre do ano. A reunião desta semana do Comité de Política Monetária deverá fornecer as últimas informações de relevo, antes da habitual pausa dos mercados, em agosto. Será interessante observar a reação aos dados de estagflação a que temos assistido este ano, numa conjugação de fraco crescimento e subida surpreendente da inflação. Os mercados esperam uma votação de 6-2, entre os membros do Comité, a favor da manutenção das taxas de juro. No entanto, há o risco de Andrew Haldane se juntar aos defensores de uma subida imediata dos juros (com o resultado final de 5-3), o que daria um impulso considerável à Libra.

USD

O mercado decidiu interpretar o comunicado pouco conclusivo da Reserva Federal, após a reunião de julho, como um sinal de orientação expansionista para a política monetária. Nesse comunicado, a Fed declarou que está preparada para iniciar o processo de redução do seu balanço, dando a entender que o anúncio oficial será feito na reunião de setembro. No entanto, a sua avaliação dos números da inflação norte-americana pareceu ligeiramente mais cautelosa. Os futuros aumentos das taxas de juro nos EUA dependerão mais das pressões inflacionárias e dos salários do que da taxa de crescimento e da criação de emprego. Em nosso entender, estando a economia norte-americana mais perto do pleno emprego do que qualquer outra das principais economias, os salários e a inflação deverão surpreender face a expectativas tão baixas. Este entendimento foi, em parte, confirmado pelo PIB do segundo trimestre, que aumentou consideravelmente em relação ao primeiro trimestre, enquanto os dados referentes aos custos do trabalho para o mesmo período constituíram a primeira surpresa pela positiva nos indicadores de inflação dos últimos tempos.

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Written by Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.