Selloff generalizado nas obrigações faz Dólar subir e Iene descer

Enrique Díaz-Álvarez10/Jul/2017Análise do Mercado de Câmbios

Os mercados mundiais continuam a ajustar-se à mudança global nas condições financeiras. Desde a grande crise financeira de 2008/2009 que a política monetária, sempre expansionista, tem sido uma constante na vida das economias avançadas. No entanto, nos últimos meses, a maior parte dos bancos centrais tem dado sinais inequívocos de que a situação está prestes a mudar. Por enquanto, o impacto imediato tem sido mais visível nas taxas das obrigações a nível global, afetadas na semana passada por uma forte pressão vendedora (selloff) num movimento ordenado e regular.

Os maiores beneficiados foram o Dólar dos EUA e o Dólar canadiano, ao passo que a moeda do G10 com pior desempenho foi o Iene japonês, visto que as yields japonesas, explicitamente controladas pelo Banco do Japão no âmbito da sua política monetária, não puderam assim acompanhar a subida das suas contrapartes.

Os mercados cambiais deixaram de se concentrar nos riscos políticos e passaram a tentar avaliar o ritmo e a extensão da mudança de política monetária nos diferentes bancos centrais. Esta semana, a maior parte da ação nos mercados será determinada pelas reuniões dos bancos centrais do Canadá, Coreia do Sul, Malásia e Indonésia, bem como por comunicações importantes de responsáveis de bancos centrais como Broadbent e Haldane, do Banco de Inglaterra, na terça-feira, e Janet Yellen, presidente da Reserva Federal, que comparece no Congresso norte-americano para falar sobre política monetária, na quarta-feira. Os principais dados económicos divulgados esta semana são os números da inflação nos EUA, na sexta-feira à tarde.

EUR

Na Zona Euro, a semana que agora se inicia será excecionalmente tranquila. Não estão previstas divulgações de dados macroeconómicos nem comunicações do banco central. Assim, o Euro deverá transacionar condicionado principalmente por dois fatores: a continuação do movimento de venda no mercado de obrigações da Zona Euro e o tom das declarações de Janet Yellen perante o Congresso Norte-americano.

GBP

No Reino Unido, continuam a acumular-se sinais de um ligeiro abrandamento da economia. Na semana passada, os índices PMI, indicadores avançados da atividade empresarial, registaram um decréscimo maior do que o esperado. Nos 53.8 pontos, o índice compósito continua bem acima do nível de 50 pontos, indicativo de expansão económica, e compatível com um crescimento anual na ordem dos 1,5-2%, mas há que estar atento à tendência, porque a verificar-se uma nova descida nos números do mês corrente, as nossas previsões para a Libra terão de ser revistas. O decréscimo imprevisto na atividade industrial e o aumento do défice comercial também não ajudaram, pelo que a semana passada foi bastante complicada para a Libra.

Além das comunicações de Haldane e Broadbent sobre política monetária, a semana será marcada pela publicação do relatório sobre o mercado de trabalho, que deverá ajudar a perceber se a divergência entre inflação e salários continua a agravar-se.

USD

O relatório do mercado de trabalho norte-americano referente a junho não teve, mais uma vez, o impacto nos mercados cambiais a que nos tinha habituado – mais um sinal de que os mercados estão a dar o crescimento económico como garantido e estão totalmente concentrados nos indicadores de inflação e nas comunicações dos bancos centrais. O relatório apresentou resultados entre mistos e positivos, com números surpreendentemente bons na criação de emprego, mas sem registar qualquer incremento na taxa de crescimento anual dos salários.

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Escrito por Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.