Moedas transacionaram em intervalos apertados em semana de poucos dados, na expectativa dos números da inflação

Enrique Díaz-Álvarez26/Jun/2017Análise do Mercado de Câmbios

Numa semana de transação cambial inconstante, todas as moedas dos países G10 terminaram este período num intervalo de 1% em relação ao ponto de início. No par EUR/USD, foi respeitado o recente intervalo de 1,11-1,13. Até a Libra pouco se moveu em resposta a um discurso de tom bastante interventivo do antigo expansionista Andrew Haldane, economista-chefe do Banco de Inglaterra, que veio contradizer abertamente o Governador Mark Carney, ao defender a necessidade de uma subida das taxas de juro “num futuro relativamente próximo”.

Fora do G10, a maior movimentação pertenceu ao Rublo russo, que deslizou mais de 3% face ao Dólar, num contexto de queda contínua dos preços do petróleo e de encorajamento do banco central da Rússia.

Os dados da inflação e dos salários vieram substituir os dados da atividade e do emprego como grandes catalisadores nos mercados cambiais. Já se percebeu que os bancos centrais não retiram os estímulos enquanto a inflação não der sinais claros de uma subida sustentada até às metas fixadas. Por conseguinte, esta sexta-feira deverá ser um dia invulgarmente volátil para os mercados cambiais, com a divulgação, de manhã, das estimativas rápidas da inflação na Zona Euro e, à tarde, do deflator do consumo privado nos EUA.

EUR

Os principais dados publicados na semana passada – os índices de atividade empresarial PMI – evidenciaram um recuo em relação aos máximos históricos atingidos, mas continuam compatíveis com o crescimento superior a 2% registado na Zona Euro. Já aqui referimos, todavia, que o crescimento foi substituído pela inflação, como principal catalisador das políticas dos bancos centrais. Atendendo aos níveis razoáveis de atividade económica evidenciados na Zona Euro, a grande decisão de quando e com que rapidez se deve retirar os estímulos monetários depende do ritmo da subida da inflação até à meta fixada pelo BCE. Por conseguinte, o acontecimento mais decisivo para o Euro nas próximas semanas será a publicação das estimativas rápidas da inflação, esta sexta-feira.

GBP

A nossa previsão de um aumento antes do esperado das taxas de juro do Banco de Inglaterra, provavelmente antes do final de 2017, viu-se significativamente reforçada pelas palavras do economista-chefe Andrew Haldane. Ao declarar que “será prudente uma retirada parcial da política adicional de proteção, implementada pelo Comité de Política Monetária no ano passado, num futuro relativamente próximo”, Haldane colocou-se cabalmente ao lado das vozes mais agressivas do Comité. Significa isto que, na próxima reunião do banco central, serão pelo menos três os votos a favor de uma subida das taxas de juro, além de que os mercados começam a preparar-se para um aumento no outono. No entanto, as probabilidades de uma subida, em setembro, atribuídas pelos mercados de taxas de juro são ainda consideravelmente inferiores a 30 %, o que – em nossa opinião – não reflete a realidade de uma inflação próxima dos 3%.

A Libra mantém-se por enquanto estável, pressionada em direções opostas pelas crescentes probabilidades de um aumento próximo das taxas de juro, por um lado, e pela incerteza decorrente do cenário político e das negociações sobre o Brexit, por outro.

USD

Nos EUA, a semana que passou teve uma agenda pouco preenchida em termos de divulgação de dados económicos. Ainda assim foram publicados dados sobre o sector da habitação, de um modo geral mais fortes do que se esperava, em que os números de vendas de casas novas e usadas superaram ambos as estimativas do mercado.

Esta semana será dominada pela divulgação, na sexta-feira, dos dados do consumo privado, nomeadamente o deflator. O deflator é a medida preferida da Reserva Federal para avaliar as pressões inflacionárias na economia norte-americana. Com as expectativas do consenso a apontar para uma queda acentuada de 1,7% para 1,5%, ou inferior, qualquer surpresa pela positiva poderá beneficiar bastante as taxas norte-americanas e o Dólar.

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Escrito por Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.