Queda da Libra com Trabalhistas a encurtar distância nas sondagens eleitorais; Euro estacionário apesar dos dados positivos

Enrique Díaz-Álvarez30/May/2017Análise do Mercado de Câmbios

Na semana passada, os mercados continuaram mais atentos aos desenvolvimentos da situação política do que aos fundamentos económicos. Ao que tudo indica, o candidato do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, reduziu para metade o avanço de cerca de 20 pontos que o Partido Conservador detinha antes do início da campanha eleitoral. Os mercados reagiram com uma queda acentuada da Libra, ao que também não ajudou a revisão em baixa da taxa de crescimento do primeiro trimestre do ano.

Quanto às restantes moedas dos países do G10, mantiveram-se praticamente inalteradas. O Euro não conseguiu sustentar o movimento de subida, apesar dos dados positivos nos índices PMI, sugerindo assim que a recente valorização pode ter sido algo empolada, enquanto os operadores de mercado transitavam rapidamente para posições longas em Euros.

Entre as moedas dos mercados emergentes, a mais volátil foi o Rand da África do Sul. Os rumores que circulavam sobre o possível afastamento do Presidente Zuma pelo Congresso Nacional Africano foram recebidos com euforia pelos mercados, mas ontem o Rand cedeu a maior parte dos ganhos, depois de se saber que Jacob Zuma sobreviveu à contestação.

EUR

A incapacidade do Euro para continuar a valorizar, apesar dos dados sólidos dos índices de atividade empresarial PMI, publicados na semana passada, foi talvez o primeiro sinal de que o movimento de valorização atual pode estar prestes a terminar. Os governadores do BCE, na sua próxima reunião do dia 8 de junho, não deverão transmitir a mensagem de uma política menos expansionista que os mercados parecem ter incorporado.

Antes disso, contudo, vão ser divulgados dados económicos cruciais já esta quinta-feira. Os mercados esperam um recuo significativo na inflação após a subida acentuada observada nos últimos dois meses. Em destaque estará a taxa da inflação subjacente, que já cresceu 0,3% desde fevereiro, o que, segundo os economistas, pode dever-se em grande medida a especificidades sazonais ligadas aos subcomponentes das tarifas aéreas e pacotes turísticos. Se assim for, é de esperar uma queda significativa nos números de maio e, possivelmente, uma descida do Euro.

GBP

A redução dramática da vantagem do Partido Conservador nas sondagens, de quase 20% para pouco menos de 10%, penalizou a Libra, fazendo a divisa britânica perder face a todas as outras moedas dos países do G10. O abrandamento acentuado do consumo nos primeiros três meses de 2017 também não ajudou. No entanto, o avanço ainda considerável dos Conservadores, de cerca de 10 pontos, deverá ser suficiente para garantir uma maioria segura, tendo a Libra estabilizado no início desta semana.

As eleições de 8 de junho constituem a ameaça mais iminente para a Libra. Até lá, muito dificilmente outros dados ou acontecimentos poderão desviar a atenção dada pelos mercados às sondagens. Ainda assim, a publicação de números estáveis ou fortes nos índices de atividade empresarial PMI, esta semana, poderá oferecer algum suporte temporário à Libra.

USD

A relativa falta de notícias negativas sobre a Administração Trump foi suficiente para estabilizar o Dólar face aos seus principais pares, na semana passada. As atas da reunião de maio da Reserva Federal não revelaram nada de novo, confirmando, por um lado, a intenção da Fed de subir as taxas de juro no próximo mês, e dando a conhecer, por outro, um debate animado entre os membros do Comité FOMC sobre o nível provável das taxas a longo prazo.

Esta semana, o destaque vai para a publicação, na sexta-feira, do sempre importante relatório do mercado de trabalho – os últimos dados decisivos a serem divulgados antes da reunião de junho. O aumento das taxas de juro, em junho, parece ser quase certo, só podendo ser posto em causa por uma surpresa extremamente negativa nos dados do emprego. Sendo tais surpresas um fenómeno bastante raro, continuamos confiantes na nossa previsão de um aumento das taxas de juro na próxima reunião da Reserva Federal.

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Written by Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.