Forte valorização das moedas dos mercados emergentes e descida da inflação nos EUA modera expectativas de aumentos das taxas

Enrique Díaz-Álvarez16/May/2017Análise do Mercado de Câmbios

O movimento emergente de valorização do Dólar foi subitamente interrompido, na semana passada, pela segunda quebra consecutiva nos números da inflação dos EUA. Ainda assim, a divisa norte-americana conseguiu terminar a semana a ganhar face a todas as moedas dos países do G10, com exceção da Coroa norueguesa. Os grandes beneficiados foram os mercados emergentes, que apresentaram ganhos acentuados num contexto de descida global das taxas de juro de longo prazo norte-americanas, desencadeando um movimento de forte procura em todos os ativos de risco. O Peso mexicano, o Rand da África do Sul e o Real do Brasil destacaram-se, valorizando mais de 2% face a todas as principais moedas dos países do G10.

A semana que hoje se inicia será bastante tranquila em matéria de divulgação de dados macroeconómicos e comunicações de política monetária. Entre os países G4, o Reino Unido estará em destaque, com a publicação dos dados da inflação de abril, na terça-feira, e o relatório do mercado de trabalho, na quarta-feira, esperando-se assim uma semana bastante volátil para a Libra.

PRINCIPAIS MOEDAS EM DETALHE:

EUR

O Euro não conseguiu sustentar o impulso de subida acima do nível de 1.10, registado no domingo anterior, logo após a vitória eleitoral de Emmanuel Macron. Acabou por não passar de mais um exemplo da máxima “buy the rumor, sell the news”. A reunião do BCE pouco adiantou e Mario Draghi limitou-se a reiterar a sua postura de “esperar para ver”. Embora o efeito combinado dos dados da inflação nos EUA e da reunião do Banco de Inglaterra tenha travado a queda da moeda única, os números da produção industrial de março da Zona Euro foram dececionantes, tendo o Euro terminado a semana praticamente no nível em que se encontrava na sexta-feira anterior ao anúncio da decisiva vitória eleitoral de Macron.

GBP

Na semana passada, a segunda tentativa da Libra para superar o nível de 1.30 face ao Dólar revelou-se infrutífera, depois de as declarações do Banco de Inglaterra não terem adotado o tom mais interventivo que os mercados esperavam. Nenhum outro membro do Comité de Política Monetária se juntou a Kristin Forbes no voto a favor de um aumento imediato das taxas de juro. Dito isto, a mensagem da reunião de maio não foi particularmente expansionista, em especial tendo em conta que o Comité de Política Monetária parece já ter ultrapassado a recente debilidade nos dados económicos do Reino Unido. As alterações às previsões foram mínimas. Mais, a declaração explícita de que a taxa diretora poderá ter de subir mais do que se estimava deve ser entendida com uma influência positiva na evolução da Libra a médio prazo. Consideramos, por isso, que o recente movimento de valorização desta moeda face ao Euro ainda poderá prosseguir.

USD

Os dados da inflação dos EUA ficaram aquém das estimativas do consenso pelo segundo mês consecutivo. Ambas as taxas de inflação – global e subjacente – recuaram em relação aos níveis registados em março, respetivamente para 2,2% e 1,9%, mas grande parte deste desvio deve-se ao abrandamento dos preços no setor médico e à descida das tarifas aéreas.

Ainda assim, estes números não vêm alterar a nossa perspetiva de que a Reserva Federal se prepara para aumentar as taxas de juro em junho. No entanto, o nosso cenário de base é de que a Fed decidirá apenas mais uma subida dos juros até ao final do ano, perfazendo assim um total de três aumentos das taxas em 2017.

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Escrito por Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.