Surpresa nas atas da Fed e dados positivos nos EUA impulsionam Dólar, enquanto Libra cai com descida na produção industrial

Enrique Díaz-Álvarez10/Apr/2017Análise do Mercado de Câmbios

O Dólar voltou a valorizar face a todas as moedas do G10, exceto face ao Iene japonês, e encerrou a semana pouco abaixo do ponto médio do intervalo de negociação que mantém desde as eleições presidenciais norte-americanas, em novembro passado. Os catalisadores desta valorização foram a divulgação das atas da última reunião da Fed, na quarta-feira, e a publicação dos dados do mercado de trabalho norte-americano de março, na sexta-feira. Na última reunião da Fed, a discussão centrou-se na possibilidade de iniciar, e quando, o processo de redução gradual do stock elevado de Ttítulos do Tesouro e obrigações hipotecárias, acumulado pelo banco central na sequência do seu programa de estímulos monetários – um tema que colheu de surpresa os mercados.

A semana passada foi igualmente palco de movimentações acentuadas nas moedas dos mercados emergentes, resultantes de fatores idiossincrásicos. A Coroa checa ganhou cerca de 2% face ao Euro, pelo facto de o banco central checo ter abandonado o regime de indexação mais cedo do que os mercados esperavam, enquanto o Rand da África do Sul e a Lira turca perderam mais de 2%: o primeiro devido ao despedimento do respeitado ministro das Finanças, Pravin Gordhan, e a última no contexto de nervosismo com a situação geopolítica após o ataque dos EUA a uma base aérea na Síria.

Esta semana, há a destacar a publicação de uma série de dados de inflação em países como os EUA, Reino Unido, China, Suécia, Noruega e Polónia. Desta forma, no final da semana já se poderá ter uma ideia mais precisa sobre a sustentabilidade da ligeira retoma da inflação a nível mundial.

PRINCIPAIS MOEDAS EM DETALHE:

EUR

Embora não tenham sido divulgados dados importantes sobre a Zona Euro na semana passada, os governadores do BCE mantiveram a moeda única em desvantagem ao recuarem na possibilidade de um aumento das taxas de juro num futuro próximo.

Esta semana, assiste-se ao arranque oficial da campanha eleitoral para as presidenciais francesas. O calendário de publicação de dados é bastante reduzido, pelo que os operadores do mercado deverão concentrar-se sobretudo nas sondagens publicadas em França, as quais, até ao momento, continuam a excluir, quase por completo, qualquer possibilidade de vitória da candidata da Frente Nacional na segunda volta.

GBP

Na semana passada, os dados publicados sobre a economia do Reino Unido foram mistos. A produção industrial de fevereiro foi dececionante, tendo baixado em termos mensais e subido apenas 2,8% em termos anuais, face a expectativas de um aumento próximo dos 4%. Por outro lado, os inquéritos PMI sobre o clima empresarial de março registaram uma subida significativa, que se deveu sobretudo aos dados positivos do sector dos serviços. Os mercados optaram por se concentrar nos aspetos negativos, fazendo a Libra perder face a todas as moedas do G10, à exceção do Dólar australiano.

O relatório com os dados da inflação do Reino Unido, publicado esta semana, será especialmente importante, tendo em conta que o Banco de Inglaterra tem surpreendido os mercados com uma postura mais interventiva. As expectativas dos mercados em relação às subidas das taxas mantêm-se extraordinariamente baixas, pelo que um novo aumento da inflação subjacente poderia desencadear um realinhamento significativo nos mercados de taxas de juro, o que daria um bom suporte à Libra.

USD

Os dados do mercado de trabalho foram mistos, tendo os mercados optado por se concentrar nos aspetos positivos. O inquérito às empresas foi dececionante, dando conta de uma criação líquida de emprego em março de apenas 98.000 postos de trabalho, além de revisões em baixa de alguns números de meses anteriores. Por outro lado, o inquérito às famílias veio contradizer este ambiente de pessimismo, evidenciando quedas acentuadas em todas as rubricas do desemprego e um crescimento dos salários na ordem dos 2,7% em termos homólogos.

Tal como no Reino Unido, o destaque desta semana é a publicação dos números da inflação. Um novo aumento na taxa de inflação subjacente superior a 0,2%, em termos mensais, poderá reforçar a possibilidade de quatro subidas das taxas de juro em 2017 e suportar o Dólar.

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Escrito por Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.