Dólar valoriza após Janet Yellen sinalizar possível subida das taxas de juro já em março

Enrique Díaz-Álvarez06/Mar/2017Análise do Mercado de Câmbios

O acontecimento mais relevante para os mercados financeiros na semana passada teve lugar já no fim do dia de sexta-feira. A Presidente da Reserva Federal, Janet Yellen, proferiu um discurso num tom claramente mais interventivo, a sugerir uma possível subida das taxas de juro na reunião de março. De notar que, desde as eleições presidenciais norte-americanas em novembro último, temos vindo a alertar para uma eventual subida das taxas de juro em março e, no mínimo, três aumentos durante 2017. Nessa altura, os mercados avaliaram tal possibilidade muito abaixo dos 25% e foram muito poucos os analistas e economistas que incluíram mais de duas subidas das taxas nas respetivas previsões. Com a aproximação da reunião de março, os mercados começam a contar com quase 100% de probabilidades de um aumento das taxas, tendo as previsões sido, na sua maioria, revistas em alta acentuada.

Também na semana passada, a subida das yields norte-americanas suportou o Dólar dos EUA face a quase todas as moedas dos países do G10 e dos mercados emergentes, com duas exceções de relevo. O Euro conseguiu encerrar a semana inalterado face à moeda norte-americana, sugerindo, talvez, que os operadores do mercado estão mais confiantes em que Marine Le Pen não assumirá a presidência do país nas próximas eleições. O Peso mexicano foi, mais uma vez, a moeda com melhor desempenho, ganhando entre 2% e 5% face aos seus pares, o que se deveu sobretudo aos comentários conciliadores sobre a renegociação do acordo comercial NAFTA por parte do novo Secretário do Comércio dos EUA.

Esta semana, são dois os acontecimentos que deverão conduzir os mercados. Na quinta-feira, o foco incide na reunião do Banco Central Europeu (BCE), e nas correspondentes declarações e conferência de imprensa, atentamente escrutinadas pelos mercados, no sentido de descobrir sinais de moderação no discurso expansionista deste banco central. Na sexta-feira à tarde são divulgados os dados do mercado de trabalho dos EUA para o mês de fevereiro, sendo de esperar uma maior atenção à evolução do aumento dos salários do que aos números propriamente ditos.

PRINCIPAIS MOEDAS EM DETALHE:

EUR

Esta semana, as atenções da Zona Euro dividem-se entre as sondagens eleitorais na Holanda, os desenvolvimentos na campanha eleitoral em França e a reunião do BCE, na quinta-feira. Não antecipamos grandes alterações no discurso de tom expansionista de Mario Draghi, o que poderá desencadear um novo movimento de desvalorização da moeda única, tendo em conta que o desempenho relativamente forte do Euro, nestes últimos tempos, se deve em parte às expectativas de uma alteração daquele discurso.

GBP

Os dados publicados na semana passada não foram favoráveis à Libra. A queda acentuada no índice PMI compósito foi um sinal preocupante de que a incerteza em torno do Brexit está a ter um efeito negativo nas decisões de investimento. As surpresas positivas no consumo têm vindo a estimular o crescimento, mas é de esperar um abrandamento, a menos que se verifique uma retoma no investimento das empresas – e estes números do PMI não são exatamente animadores.

Esta semana, a apresentação do Orçamento de Estado deverá decorrer sem incidentes, devendo a Libra reagir sobretudo a eventos externos, nomeadamente os dados do mercado de trabalho dos EUA e a reunião do BCE.

USD

Na semana passada, os EUA divulgaram um conjunto contraditório de indicadores económicos de segunda linha. Esse facto, assim como o discurso muito pouco revelador proferido por Donald Trump no Congresso norte-americano, acabou remetido para segundo plano pela vaga de comunicações de tom interventivo produzidas pela Reserva Federal. No encerramento da sessão de sexta-feira, os mercados estavam a contar com 94% de probabilidades de uma subida das taxas de juro em março e um cenário central de três aumentos de taxas ao longo de 2017.

Os dados do mercado de trabalho divulgados na sexta-feira deverão ter pouco impacto nestas expectativas, que estão agora praticamente em sintonia com as nossas próprias estimativas. Estaremos especialmente atentos aos números dos salários, antecipando um aumento significativo, em consonância com uma subida acentuada da taxa de inflação subjacente e de outros indicadores de pressão nos preços.

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Written by Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.