Mercados cambiais a negociar em intervalos estreitos, com operadores a ignorar os fortes dados económicos dos EUA

Enrique Díaz-Álvarez20/Feb/2017Análise do Mercado de Câmbios

Os mercados cambiais parecem estar a descontar o risco político dos dois lados do Atlântico. Na semana passada, as preocupações em torno das próximas eleições na Europa foram contrabalançadas pelos receios causados pela turbulência que atingiu a Administração Trump, abalada por fugas de informação embaraçosas e pela estranha política de comunicação de Trump. Neste contexto, o Dólar não conseguiu beneficiar do discurso otimista de Janet Yellen, na intervenção bianual da Presidente da Reserva Federal perante o Congresso, nem da subida significativa da inflação dos EUA durante o mês de janeiro, tendo terminado a semana praticamente inalterado face a todas as moedas dos países do G10, exceto a Libra, penalizada por indicações de que a União Europeia adotará uma abordagem dura nas negociações do Brexit.

Esta semana é bastante apagada em termos de novos dados económicos ou anúncios de autoridades monetárias de relevo. Assim, os acontecimentos da vida política continuarão no centro das atenções dos mercados. Em foco estarão as sondagens eleitorais em França e na Holanda, a possibilidade de um pacto entre os candidatos da Esquerda francesa e as fugas de informação da Administração Trump. No plano macroeconómico, destaca-se a divulgação das estimativas para os índices de confiança empresarial PMI da Zona Euro, que servirão de teste à nossa perspetiva de que a economia da Zona Euro está a melhorar mais rapidamente do que se esperava.

PRINCIPAIS MOEDAS EM DETALHE

EUR

As atas da última reunião do Banco Central Europeu (BCE) mantiveram-se fiéis ao guião recentemente adotado. A política continuará firmemente expansionista, o Banco terá em consideração os últimos aumentos da inflação, conduzidos sobretudo pelos preços da energia, e os riscos de deterioração mantêm-se. É muito difícil divisar uma valorização sustentada da moeda única, a menos e até que se evidencie uma mudança significativa na postura do BCE, o que não acontecerá num futuro próximo.

Esta semana, será divulgado o indicador de alta frequência mais importante para a Zona Euro – os índices de sentimento empresarial PMI. A expectativa do consenso aponta para que o índice PMI compósito se mantenha inalterado, pelo que o Euro deverá transacionar principalmente em reação às notícias sobre as eleições em França e na Holanda.

GBP

A semana passada foi um período difícil para a Libra Esterlina. Os dados económicos não serviram de suporte e assistimos a surpresas negativas nos dois principais números divulgados: a inflação do IPC e as vendas a retalho. Num contexto tão negativo, o facto de a Libra ter fechado a semana quase inalterada acabou por ser um alívio.

Na quarta-feira, serão conhecidos os números do crescimento do PIB no quarto trimestre. Como se trata de um indicador atrasado, os riscos tendem para uma melhoria, além de que uma surpresa fortemente positiva serviria de suporte à Libra.

USD

O discurso otimista da Presidente da Reserva Federal, Janet Yellen, perante o Congresso foi seguido da divulgação surpreendente de uma subida acentuada da taxa de inflação e das vendas a retalho. Os números da inflação foram especialmente importantes, porque constituem uma prova concreta do “cenário de reflação”: a ideia de que as taxas de juro baixas e o nível reduzido de emprego estão finalmente a servir de base à formação de pressões inflacionárias moderadas.

Esta semana, o acontecimento central para os mercados é a publicação, na quarta-feira, das atas da última reunião da Reserva Federal. Em nosso entender, qualquer indício de que está a ser ponderado um aumento das taxas em março fará os mercados reavaliar as probabilidades de tal subida (atualmente um pouco abaixo dos 40%), o que poderá dar ao Dólar o impulso necessário para sair do recente intervalo de negociação.

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Written by Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.