Perspetiva de cortes fiscais nos EUA impulsiona Dólar e mercados acionistas mundiais

Enrique Díaz-Álvarez13/Feb/2017Análise do Mercado de Câmbios

Num período de pausa para a política monetária da maioria dos países do G10, os mercados centram as atenções nos desenvolvimentos da situação política. Na semana passada, os comentários de Trump, em que prometia “notícias fenomenais” sobre os cortes de impostos, desencadearam uma subida acentuada das ações, mercados emergentes e ativos de risco em geral. O Dólar norte-americano e a Libra foram apanhados por esta onda de otimismo e valorizaram face a todas as moedas dos países do G10, exceto o Dólar australiano e o Dólar canadiano. Mais uma vez, a menção especial pertence ao Peso mexicano, que ganhou 1% face ao Dólar dos EUA e quase 2,5% face ao Euro.

Esta semana, a tendência de reflação global será submetida a um teste importante, com a divulgação de uma série de taxas de inflação: China e Reino Unido, na terça-feira, seguindo-se os números decisivos dos EUA, na quarta-feira. Uma taxa de inflação subjacente, acima do consenso universal de 0,2% em termos mensais e 2,1-2,2% em termos anuais, seria provavelmente suficiente para pressionar uma descida do Euro abaixo dos mínimos recentes de 1,04 Dólares. A moeda única poderá ser igualmente afetada por eventuais notícias sobre a redução de impostos nos EUA, eleições em França e na Holanda ou novas preocupações com a dívida grega.

PRINCIPAIS MOEDAS EM DETALHE

EUR

Novos receios sobre a sustentabilidade do resgate à Grécia vieram juntar-se às preocupações políticas. Os spreads da dívida pública francesa dispararam, enquanto a dívida soberana da Holanda se mantém inalterada. Consideramos que o mercado está excessivamente preocupado com os riscos negativos em França, tendo em conta que o sistema eleitoral em duas voltas torna muito improvável a vitória de Marine Le Pen, mas está a subestimar os riscos de o partido nacionalista holandês passar a governar o país após as eleições de março.

O tom provavelmente moderado das atas da última reunião do BCE, divulgadas esta quinta-feira, deverá amplificar o efeito de uma eventual subida da taxa de inflação dos EUA sobre o par EUR/USD.

GBP

A agenda económica do Reino Unido está bem preenchida esta semana. Além dos números da inflação, na terça-feira, na quarta-feira é divulgado o relatório sobre o mercado de trabalho. Consideramos que existe uma probabilidade razoavelmente forte de subida da inflação, o que poderá forçar os mercados a anteciparem as expectativas de aumento das taxas do Banco de Inglaterra e a dar suporte à Libra. A expectativa é de que a Libra continue a negociar dentro do intervalo face ao Dólar dos EUA, mas há boas probabilidades de uma recuperação significativa face ao Euro, esta semana, na sequência da divulgação de dados económicos fortes para o Reino Unido e das crescentes preocupações políticas na Europa.

USD

A semana passada trouxe alguma esperança de que a errática Administração Trump possa recuar nos confrontos políticos e concentrar-se mais na política económica interna. Donald Trump reafirmou o compromisso dos EUA com a política de “uma só China” e teve o que pareceu ser uma reunião positiva com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe. Mais importante ainda, a Casa Branca fez alusões a cortes significativos dos impostos e prometeu publicar um plano pormenorizado nas próximas semanas.

Além dos números da inflação norte-americana, são vários os acontecimentos da semana nos EUA, com potencial para movimentar os mercados. Já na terça-feira, o depoimento de Janet Yellen, Presidente da Reserva Federal, no Congresso, deverá dar algumas pistas quanto ao ritmo dos aumentos das taxas que a Fed espera implementar este ano.

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Escrito por Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.