Mercados cambiais terminam 2016 em ambiente tranquilo e preparam-se para um calendário político cheio em 2017

Enrique Díaz-Álvarez03/Jan/2017Análise do Mercado de Câmbios

Os mercados cambiais mantiveram-se quase sempre calmos durante este período de férias. A única exceção foi um breve “disparo-surpresa” do Euro em 30 de dezembro, um movimento inconsequente e de curta duração, causado por programas de transação automática e (novamente) pela liquidez extremamente reduzida durante a sessão das Bolsas asiáticas, agravada pelo período de férias. Além disso, os movimentos mais significativos foram as subidas observadas na Coroa sueca e no Rand da África do Sul.

A nossa expectativa é que a evolução dos mercados cambiais em 2017 seja ditada mais pelos acontecimentos políticos do que por fatores monetários ou económicos, o que torna qualquer previsão um exercício excecionalmente difícil. As eleições na Europa, a materialização das propostas políticas de Donald Trump nos EUA e o início e gestão do processo do Brexit no Reino Unido são os principais acontecimentos a ter em atenção.

Já esta semana, o calendário económico regressa do período de férias. Eis os nossos destaques e expectativas:

PRINCIPAIS MOEDAS EM DETALHE

EUR

O calendário da Zona Euro é dominado pela estimativa provisória da inflação de dezembro. Os mercados esperam uma inflação subjacente exatamente ao mesmo nível dos últimos quatro meses, ou seja, 0,8%. Será interessante observar se a recente tendência mundial de taxas de inflação ligeiramente elevadas chega à Zona Euro e nos reserva uma subida surpresa.

GBP

Os indicadores PMI de confiança das empresas são publicados esta semana. A continuação do movimento estável de subida que temos observado desde o colapso pós-referendo daria decerto algum suporte à Libra.

USD

Tal como na primeira semana de cada mês, esta sexta-feira são publicados os dados económicos possivelmente mais importantes do mundo pelo Gabinete Norte-Americano de Estatísticas do Trabalho (Bureau of Labor Statistics). A expectativa do consenso aponta para mais um número total de postos de trabalho criados muito próximo dos 200.000 empregos, com referência ao mês de dezembro, enquanto alguns analistas esperam uma ligeira recuperação na taxa do desemprego depois da queda acentuada registada em novembro. Para nós, o fator mais determinante será a taxa de crescimento dos salários. Tal como consensualmente se espera, a verificar-se a recuperação da totalidade da queda registada em novembro, isso não só dará força aos membros da Reserva Federal, apologistas de uma política mais agressiva, que este ano esperam pelo menos três aumentos das taxas de juro, com também servirá de suporte ao Dólar.

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Escrito por Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.