Bancos centrais em destaque esta semana com reuniões decisivas da Fed, BoE e Banco do Japão

Enrique Díaz-Álvarez31/Oct/2016Análise do Mercado de Câmbios

Nos mercados cambiais, a semana passada foi praticamente o reverso da semana anterior. O Euro recuperou as perdas sofridas, enquanto as moedas dos mercados emergentes desabaram. O forte movimento de vendas (sell off) que se fez sentir entre estas últimas foi mais notório no Real brasileiro e, em particular, no Peso mexicano, abalado na noite de sexta-feira pela notícia de reabertura das investigações do FBI aos e-mails de Hillary Clinton.

Esta semana, concentramo-nos nas reuniões decisivas dos bancos centrais nos EUA e no Reino Unido. Embora não se espere qualquer alteração em ambos os casos, o teor das comunicações da Reserva Federal e do Banco de Inglaterra será determinante para os mercados cambiais. As eventuais notícias sobre a investigação do FBI e as últimas sondagens antes das eleições presidenciais nos EUA deverão igualmente criar muita volatilidade para o Peso mexicano e para as moedas dos mercados emergentes em geral.

EUR

O foco da semana incidirá na divulgação de diversos dados macroeconómicos importantes. Na segunda-feira, serão conhecidas as estimativas para a inflação de outubro e para o PIB do terceiro trimestre na Zona Euro, seguindo-se, na quinta-feira, os dados do mercado de trabalho. As expectativas são de resultados mistos. A inflação deverá manter-se, em outubro, no nível inaceitavelmente baixo de 0,5%, muito longe da meta do BCE, continuando a pressionar o banco central para prolongar o programa de aquisição de ativos, na reunião de dezembro. O crescimento do PIB deverá permanecer no nível anémico de 1,6%, numa base anualizada. Quanto ao relatório do mercado de trabalho, os dados deverão ser um pouco mais positivos, registando possivelmente a primeira melhoria em 6 meses, com a taxa de desemprego a decrescer 0,1% para um nível ainda demasiado elevado de 10%. A expectativa é que o Euro se mantenha estacionário ao longo de toda a semana, num contexto de pressão sobre a moeda única, resultante de uma conjugação de fatores como a retórica mais interventiva da Fed e a divulgação de dados económicos fracos para a Zona Euro.

GBP

A Libra continua a enfrentar dificuldades para encontrar suporte no contexto de incerteza do Brexit. Embora tenha encerrado a semana quase inalterada face ao Dólar norte-americano, esta aparente estabilidade esconde algumas fraquezas intradiárias enervantes, como a da segunda-feira passada, em que a Libra caiu repentinamente abaixo de 1.21 e recuperou logo a seguir.

O acontecimento decisivo desta semana para a Libra é a reunião do Banco de Inglaterra na quinta-feira. Na terça-feira passada, o Governador Mark Carney sugeriu que a desvalorização da Libra tinha afastado a possibilidade de mais cortes da taxa de referência deste banco central, ao afirmar na audição na Câmara dos Lordes que o Banco de Inglaterra “não era indiferente” ao nível da Libra. Esperamos, por isso, a confirmação desta ideia na reunião de quinta-feira, o que poderá conduzir a uma recuperação, ainda que ligeira, da Libra.

USD

A penúltima reunião da Reserva Federal em 2016 será o principal acontecimento da semana para os mercados financeiros. Concordamos com o consenso de economistas de que a decisão de subida das taxas é muito improvável. Esperamos, contudo, observar alguns sinais favoráveis a tal decisão entre os membros do comité de política monetária. Antecipamos que, pelo menos, mais um membro do comité irá alterar o seu sentido de voto a favor de um aumento imediato dos juros, perfazendo assim um resultado total de 6-4. A declaração final deverá indicar claramente que, salvo um colapso dos mercados financeiros, a subida das taxas em dezembro está praticamente garantida. Considerando que os mercados continuam a incorporar a probabilidade de quase um para quatro de nenhum aumento em 2016, a reavaliação nos mercados das taxas de juro de uma quase certa subida das taxas em dezembro continuará a oferecer um bom suporte ao Dólar norte-americano. No final da semana, são divulgados os dados do trabalho de outubro e os números fortes do emprego deverão criar um ambiente positivo para o Dólar, com esta moeda a fechar bem a semana face aos seus pares principais.

Print

Written by Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.