Volatilidade dos mercados cambiais ao sabor das reuniões dos Bancos Centrais, de regresso após a pausa estival

Enrique Díaz-Álvarez05/Sep/2016Análise do Mercado de Câmbios

Enquanto o Dólar se manteve firme, apesar dos dados do mercado de trabalho aquém do esperado nos EUA, a Libra deu provas de força na semana passada. Os dados surpreendentemente positivos após o referendo do Brexit estão a forçar o fecho das apostas na queda da Libra e, por enquanto, o caminho que oferece menos resistência para a Libra é de subida.

Em setembro, os bancos centrais estarão em destaque, a começar pela agenda extraordinariamente preenchida desta semana. Nada menos do que quatro reuniões de bancos centrais do G10 durante a semana, a saber: Banco Central Europeu, Banco da Reserva da Austrália, Banco do Canadá e Riksbank da Suécia. Destas, a mais importante é, de longe, a reunião do BCE, na quinta-feira. Não sendo de esperar qualquer intervenção, ainda assim serão muitas as informações para os mercados digerirem, nomeadamente as revisões nas previsões de inflação e de crescimento e a conferência de imprensa do Presidente Draghi.

PRINCIPAIS MOEDAS EM DETALHE

EUR

Os dados da inflação da Zona Euro, divulgados na semana passada, ficaram novamente aquém das expectativas. O índice da inflação subjacente, que exclui as componentes voláteis alimentação e energia, desceu para 0,8% em relação ao ano anterior. Desde 2013 que, todos os meses, exceto um, este importante indicador regista um valor igual ou inferior a 1%. Estes dados vão intensificar ainda mais a pressão no sentido de uma intervenção do BCE. Muito embora não esperemos que uma instituição que se tem mostrado apática se decida a agir ainda esta semana, consideramos que o seu discurso incluirá sinais claros de que, pelo menos, um aumento das metas do programa de estímulos monetários estará na calha ainda este ano.

GBP

Os dados macroeconómicos que serão divulgados esta semana constituem um teste fundamental à recuperação acentuada que a Libra tem evidenciado nas últimas semanas. Os mercados vão procurar no índice PMI de agosto para o setor dos serviços a confirmação da forte retoma observada nos seus pares dos setores da indústria e da construção. Se surpreenderem pela positiva, estes dados vão intensificar a pressão de subida sobre a Libra. Os operadores do mercado continuam a manter níveis recorde de posições curtas em Libras e um resultado do PMI de serviços acima dos 50 pontos (nível de expansão) poderia obrigar muitos deles a desistir antes de tempo e a cobrir posições.

USD

Os dados de agosto do mercado de trabalho norte-americano foram ligeiramente dececionantes. Os números ficaram um pouco aquém das expectativas, com a criação de 151.000 novos postos de trabalho em termos líquidos. No entanto, este desvio deveu-se, em certa medida, a revisões de números anteriores. Mais significativa é a debilidade relativa evidenciada nos salários, que subiram apenas 0,1% em termos mensais e 2,4% em termos anuais. Além disso, há a registar um ligeiro decréscimo na média das horas de trabalho semanal e um ligeiro acréscimo no desemprego. Tendo em conta que a média de três meses continua a apresentar números bastantes fortes, com 232.000 postos de trabalho por mês, este relatório não deverá alterar substancialmente as perspetivas. Por outro lado, é possível que venha a dar força aos membros mais moderados do Comité FOMC, pelo que a próxima subida das taxas de juro deverá ser adiada para dezembro. Ainda assim, o discurso do Presidente Williams da Reserva Federal de São Francisco, na próxima terça-feira, sobre as perspetivas económicas, poderá funcionar como uma antevisão da reação da Fed aos números do último relatório do mercado do trabalho

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Escrito por Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.