Sólidos resultados dos EUA e posição da Reserva Federal impulsionam o Dólar

Enrique Díaz-Álvarez16/May/2016Análise do Mercado de Câmbios

 

A recuperação do Dólar continuou pela segunda semana. Os sólidos resultados de abril relativos às vendas a retalho e outros resultados positivos não tão relevantes contrastaram com a fragilidade da Zona Euro, desta feita na produção industrial. Importa referir que Rosengren, presidente da Reserva Federal de Boston e eleitor do FOMC (Federal Open Market Committee), manifestou o seu total apoio à tese que defendemos de que existe uma grande disparidade entre as expetativas do mercado quanto à subida da taxa de juros nos Estados Unidos e a trajetória mais provável, tal como verificado pela própria Reserva Federal. Isto foi suficiente para impulsionar o Dólar norte-americano e  distanciá-lo dos principais pares no mercado.

Esperamos que a volatilidade dos mercados monetários atinja o seu máximo a meio desta semana, dado que as minutas da última reunião da Reserva Federal serão publicadas na noite de quarta-feira, depois de serem publicadas as do BCE, na manhã desse mesmo dia.

EUR

Na semana passada, o Euro viu-se fragilizado, após dois relatórios com resultados dececionantes, com a produção industrial de março e o PIB relativo ao primeiro trimestre a ficarem aquém das expetativas. As minutas da reunião do mês de abril do BCE serão divulgadas esta semana. Estas não refletirão, como é claro, os mais recentes dados económicos, mas será, porém, interessante saber como está o Conselho do BCE a reagir ao ainda modesto crescimento, ao mesmo tempo que se assiste a uma contínua pressão descendente sobre a inflação. Será também crucial saber quais os comentários relativos à possibilidade de Brexit e quais seriam as reações do Conselho do BCE a esta possibilidade.

GBP

O Banco de Inglaterra fez uma avaliação bastante dramática do impacto que o referendo está a ter e pode ainda vir a ter na economia do Reino Unido, consoante o seu resultado. O governador Mark Carney descreveu um cenário muito pouco animador das consequências caso o resultado seja o Brexit, incluindo uma queda acentuada da Libra Esterlina, uma maior inflação e o abrandamento do crescimento até um ponto em que se põe em risco a entrada em recessão. Estes são, certamente, avisos alarmantes e não deixam dúvida absolutamente nenhuma quanto à preferência do Banco de Inglaterra em manter o Reino Unido na União Europeia — preferência claramente apoiada pelos nove membros do Comité de Política Monetária (CPM).

Estamos, portanto, a entrar numa semana repleta de dados: amanhã sairão os dados relativos à inflação, seguindo-se, na quarta-feira, o relatório de emprego relativo ao mês de março. Deveremos ficar então com uma clara perceção sobre se os salários e as pressões inflacionistas se começam a manifestar. Contudo, até 23 de junho, os resultados das sondagens para o Brexit será, serão dúvida nenhuma, decisivos para determinar a evolução da Libra.

USD

Os resultados surpreendentemente positivos contidos no relatório de vendas a retalho dos Estados Unidos referente a abril vêm de certa forma apaziguar os receios relativos a uma economia débil. A estes, junta-se a opinião positiva do relatório de oportunidades de emprego (JOLTS — Job Openings and Labor Turnover Survey), que mostra um aumento considerável do número de vagas disponíveis. Foi também tornada pública a posição de Rosengren, outrora pessimista, da Reserva Federal de Boston, quanto a um aumento das taxas de juro. Rosengren considera que a probabilidade de as futuras taxas subirem é “maior do que o estabelecido atualmente nos mercados financeiros.” —  a afirmação que veio, até ao momento, mostrar claramente que o valor das taxas da FED subirão mais rapidamente do que o estabelecido pelo mercado. Tudo isto teve um impacto positivo no Dólar norte-americano, que subiu contra praticamente todas as outras moedas mais importantes do mundo. Aguardamos agora as minutas da FED relativas à reunião de abril para confirmar se a FED está ainda mais otimista do que o mercado acredita relativamente às previsões para a economia dos Estados Unidos.

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Escrito por Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.