Dólar dependente de reunião da Fed   

Enrique Díaz-Álvarez26/Apr/2016Análise do Mercado de Câmbios

A recuperação da Libra face a todas as moedas do G10 e a grande depreciação do Iene japonês foram os acontecimentos de maior destaque no mercado de câmbios durante a semana passada. Ambas as moedas parecem ter começado a corrigir os seus movimentos excessivos das últimas semanas, enquanto que os temores face à eventualidade de um Brexit se começam a dissipar e as autoridades japonesas demonstram cada vez mais o seu descontentamento para com o fortalecimento do Iene. Neste contexto, as duas grandes reuniões dos bancos centrais desta semana serão cruciais. Esperamos que o Banco do Japão anuncie novas medidas agressivas, tanto sob a forma de empréstimos a taxas de juro negativas aos bancos ou até talvez financiamento directo dos gastos do governo. A reunião da FED de amanhã é igualmente importante. Não se esperam subidas das taxas de juro, mas as declarações serão determinantes para estabelecer a tendência do Dólar ao longo das próximas semanas.

EUR

A reunião de Abril do BCE teve lugar na semana passada e Draghi fez  seu melhor para se manter fiel à sua mensagem da última semana: os riscos para a economia da Zona Euro ainda estão bem visíveis  e o BCE está agora empenhado em  implementar as medidas anunciadas em Março. Não houve menções significativas relativamente ao Euro ou ao mercado de câmbios.

Esperamos assistir a grande volatilidade no Euro durante esta semana, dado que a reunião da Reserva Federal será seguida do anúncio da inflação  e dos indicadores de crescimento da Zona Euro como um todo.

GBP

Há já algum tempo que vínhamos a antever que a Libra estava a ser demasiado castigada, principalmente face ao Euro, devido a um medo excessivo da saída do Reino Unido da União Europeia e respectivas consequências. A grande recuperação verificada na semana passada, que valorizou a Libra 2% face ao Euro poderá ser um indicador que o baixo valor da Libra está a começar a ser corrigido. A recuperação foi particularmente significativa, se considerarmos que a principal notícia da semana, o OIT do mercado de trabalho não veio em defesa da Libra. O relatório não demonstrou aumentos dos salários no Reino Unido e a taxa de desemprego manteve-se nos 5,1%.

Amanhã  iremos conhecer o crescimento estimado do PIB do Reino Unido. O consenso já aponta para um grande abrandamento comparativamente ao trimestre anterior e qualquer resiliência neste número poderá ser o pretexto que a Libra precisa para continuar a corrigir os seus níveis excessivamente baixos.

USD

O Dólar norte-americano teve uma semana marcada por oscilações. O apetite pelo risco levou à valorização da maioria das moedas dos países emergentes, já as moedas europeias e, surpreendentemente, o Iene continuou a recuar face ao Dólar.

Como de costume, a reunião da Reserva Federal irá dominar o calendário económico ao longo das próximas semanas. Tal como referimos acima, os mercados parecem estar mais tranquilos, pelo que não se esperam acções ou declarações comprometedoras. Concordamos que não deveremos assistir a notícias dramáticas por parte da FOMC até à reunião de Junho. A tendência do Dólar, por agora, será ditada pelas notícias, bem como pela evolução do apetite pelo risco nos mercados financeiros globais.

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Escrito por Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.