Pessimismo de Yellen põe Dólar à prova e coloca mercados financeiros em alvoroço

Enrique Díaz-Álvarez04/Apr/2016Análise do Mercado de Câmbios

Os mercados mundiais celebraram na semana passada e quem tem por hábito transaccionar, procurou afastar-se do Dólar, após a Presidente Yellen ter optado por um tom cauteloso no seu discurso da passada terça-feira. Yellen focou-se nos riscos externos para a economia norte-americana, como o abrandamento económico da China e a volatilidade financeira. Isto faz com que os mercados continuem a atrasar as suas expectativas para uma subida das taxas de juros por parte da FED, colocando em 25% a probabilidade de uma subida das taxas de juro em Junho.

Curiosamente, a restante informação que ficámos a conhecer na semana passada deveria ter tranquilizado a Reserva Federal. As notícias sobre o relatório de emprego de Março foram bastante positivas. Por outro lado, a forte recuperação dos mercados demonstra que a Bolsa dos Estados Unidos conseguiu encerrar o primeiro trimestre de 2016 em alta, o que deveria demover uma das preocupações mencionadas pela Presidente Yellen.

A curto prazo, continuamos atentos às comunicações da FED para validar ou descartar as expectativas mais pessimistas dos mercados relativamente ao aumento das taxas de juro. Neste sentido, o anúncio das minutas da FED, na quarta-feira surge como uma data de risco crucial.

EUR

Apesar de o Euro ter recuperado fortemente face ao Dólar, na semana passada, esperamos que o foco dos mercados volte a direccionar-se para os riscos políticos da Zona Euro a curto prazo. Os holandeses terão um referendo na quarta-feira para decidir se aprovarão o tratado da UE com a Ucrânia. O referendo não é vinculativo mas uma rejeição do acordo iria acentuar o descontentamento crescente com a União Europeia em todo o continente. A revelação de que os oficiais do FMI acreditam que será necessário outro “momento decisivo” para forçar a UE a aceitar a redução da dívida na Grécia e a contínua falta de acordo para um novo governo espanhol, tudo demonstra claramente que os riscos políticos não se confinam ao Brexit, e, no fundo, poderão, em breve, começar a pesar sobre a moeda única. Mais do que as notícias macroeconómicas, os eventos políticos deverão dominar a cotação das moedas europeias ao longo das próximas semanas.

GBP

Muito mais crítica é a incerteza em relação ao desfecho do referendo para o Brexit. Nas casas de apostas, as probabilidades de Brexit aumentaram para ⅓ após os atentados de Bruxelas. A mudança de padrão nas taxas de resposta demonstra que as sondagens são geralmente menos fiáveis do que costumavam ser, como se tornou evidente após as últimas eleições parlamentares. Na próxima semana, o referendo holandês de quarta-feira para o acordo da UE com a Ucrânia irá provavelmente dar ainda mais protagonismo ao próprio referendo do Reino Unido. Iremos analisar as reacções da Libra aos resultados daqui decorrentes. De uma forma mais geral, sabemos que o Brexit também acarreta riscos políticos significativos para a Zona Euro, que ainda não são conhecidos.

USD

Os dados macroeconómicos favoráveis do relatório o emprego de sexta-feira travaram a recuperação contínua do Euro, que tinha visto luz verde na terça-feira, após o discurso de Yellen. Praticamente tudo o que a FED precisava de ver estava aí. Os postos de trabalho aumentaram para 215.000 em Março, os salários aumentaram e a participação da força de trabalho passou para 63%. No centro das atenções ficam agora as minutas do encontro da FED em Março, embora acreditemos que já estejam a ser ofuscadas por outros eventos: leituras económicas geralmente fortes, uma recuperação do mercado acentuada que permitiu às bolsas dos EUA recuperar todas as suas perdas em 2016. Por isso, duas das principais procupações dos membros mais pessimistas da FOMC já foram neutralizadas.

Print

Escrito por Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.