“Cada vez mais PME intensificam a sua atividade para mercados estrangeiros”

Duarte Líbano Monteiro23/Mar/2016Comércio Internacional

ENTREVISTA COM DUARTE LÍBANO MONTEIRO, DIRETOR GERAL DA EBURY IBÉRIA

“A Ebury nasce para ajudar as PME no seu negócio de exportação, importação ou internacionalização, satisfazendo as suas necessidades de pagamentos ou cobranças internacionais em moeda estrangeira, assim como uma gestão eficiente de risco da taxa de câmbio  das suas operações comerciais com outros países.”

 

Existe uma mudança de comportamento na abertura comercial da PME portuguesa?

Duarte Líbano Monteiro: As importações, exportações ou internacionalizações já não estão apenas reservadas às grandes empresas. Cada vez mais PME, com um volume de negócio muito mais reduzido, diversificam a sua atividade para mercados estrangeiros, representando uma percentagem importante do total da sua atividade.

Quais são os principais problemas financeiros com que se deparam as empresas que se viram para o exterior?

O principal desafio que enfrenta uma empresa quando não é muito grande é o acesso aos serviços financeiros personalizados e de qualidade, tradicionalmente oferecidos pela banca apenas a grandes organizações. As PME procuram as mesmas capacidades financeiras para fazer face ao desafio externo com maior segurança. Minimizar os riscos financeiros que possam supor um impacto negativo nas suas operações comerciais é vital para a viabilidade de uma PME, cujas margens comerciais são mais reduzidas que as que possa ter uma empresa de grandes dimensões.

De que forma é que a gestão de câmbios de uma empresa afeta o crescimento do comércio internacional?

À medida que uma empresa aumenta as suas relações comerciais com o exterior, o seu diretor financeiro tem de adicionar à sua gestão um risco adicional, o da taxa de câmbio que afeta os seus pagamentos, cobranças ou envio de fundos em moeda estrangeira. Para evitar preocupações associadas à flutuação da taxa de câmbio, o diretor financeiro terá de fazer um contrato forward, fixando a taxa de câmbio para os seus pagamentos futuros e cobranças previstas, o que lhe permite eliminar a incerteza dos mercados e orçamentar os as suas despesas ou ganhos.

Acredita que os responsáveis financeiros das PME estão cientes da necessidade de proteger as suas operações em câmbios?

É um tema algo desconhecido para as pequenas e médias empresas. Historicamente, o número de PME expostas às taxas de câmbio não tem sido muito alto. Além disso, a banca não tem dedicado tantos recursos e esforços para este tipo de produtos para pequenas empresas o fez com as grandes. É por isso que empresas especializadas em gestão de câmbios, como é o caso da Ebury, surgem como uma alternativa à banca, para apoiar as PME na sua gestão diária de transação de moedas, assim como para as elucidar para os diferentes produtos de cobertura, para minimizar o impacto da volatilidade do mercado de câmbios.

Diria que a gestão do risco cambial é uma prioridade atual do diretor financeiro?

A gestão de transações internacionais é uma prioridade crescente para o diretor financeiro e geral. Anteriormente, a alta volatilidade dos mercados estava relacionada com as moedas de países emergentes, porém, nos últimos meses temos visto como o Euro e o Dólar também podem ser voláteis. As decisões de política monetária da UE e da Zona Euro têm afetado bastante a flutuação destas moedas, alterando a taxa de câmbio orçamentada por uma empresa para os seus pagamentos ou cobranças internacionais. Portanto, não é estranho que tenha aumentado a procura por ferramentas financeiras, para mitigar este risco.

Quais são os benefícios que um fornecedor de moedas especializado pode trazer às empresas como alternativa a um banco?

O primeiro benefício passa por um serviço à medida, em que se desenvolve uma estratégia de gestão de moedas em função das necessidades e características do cliente. Para personalizar um serviço há que conhecer muito bem o cliente e ter em conta fatores gerais como o seu setor de atividade ou a sua dimensão; assim como ir ao detalhe em questões relacionadas com a sua operativa externa. Por outro lado, um especialista em câmbios permite-lhe aceder a um conjunto de moedas exóticas, algo que a banca não proporciona. Igualmente importante, é o serviço prestado. Um especialista, como o o seu próprio nome indica, está focado unicamente num serviço, proporcionando ao cliente uma experiência e conhecimento adquirido em operações anteriores com clientes que procuram necessidades semelhantes.

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Escrito por Duarte Líbano Monteiro

Diretor Geral da Ebury Ibéria. Profissional com vasto conhecimento acerca da indústria financeira e com mais de 10 anos em experiência em gestão e direção de vendas. Lidera a forte expansão da Ebury para o mercado de Portugal e Espanha.