BCE corta principais taxas de juro e aumenta programa de flexibilização equitativa

Enrique Díaz-Álvarez10/Mar/2016Análise do Mercado de Câmbios

Esta quinta-feira todas as atenções estiveram centradas no mercado de câmbios, mais concretamente, no tão aguardado encontro do Banco Central Europeu para discutir política monetária, que decorreu em Frankfurt.

As expectativas para um aumento dos estímulos monetários eram altas e o Presidente Mario Draghi não podia desapontar os mercados. E não o fez.

Tal como se esperava, o Conselho do BCE anunciou que iria cortar ainda mais a taxa de depósito, para território negativo. A taxa de depósito foi cortada, tal como tínhamos previsto, em mais de 10 pontos base para -0,4%.

Por outro lado, o Banco anunciou ainda que iria lançar quatro novas rondas de refinanciamento (ORPA) com o prazo de 4 anos, cujas taxas podem ser tão baixas quanto as taxas e depósito.

Este alargamento das políticas de estímulo monetário é extremamente significativo em magnitude e surpreendeu até os economistas mais pessimistas, afundando o Euro face ao Dólar norte-americano em mínimos que já não se viam desde novembro.

Contudo, o Euro apreciou-se bastante durante  a conferência de imprensa. Ainda que Draghi tenha reiterado que as taxas irão permanecer muito baixas durante um longo período de tempo  (e para não me parece bem) além mesmo do calendário de aquisição de ativos, o Euro recuperou por completo as suas perdas, após Draghi ter sugerido que não iria antecipar mais cortes de taxas.

A moeda única, subsequentemente, terminou a sessão mais alta com ganhos face ao Dólar norte-americano (Gráfico 1).

Gráfico 1: Evolução do par EUR/USD (10/03/16)

Gráfico 1: Evolução do par EUR/USD (10/03/16)

Fonte: Thomson Reuters Datastream Data: 10/03/2016

Apesar da recuperação da moeda única, acreditamos que uma expansão desta dimensão dos estímulos monetários do Banco Central Europeu é muito significativa e irá colocar muita pressão no Euro durante 2016.

De salientar o facto de a taxa de refinanciamento ter sido revista em baixa sendo fixada no mesmo nível (negativo) que a taxa de depósito, o que significa que os custos de excesso de reservas bancárias causados por taxas de depósito negativas  serão compensados através de custos menores de financiamento. Isto significa que a possibilidade de virmos a assistir a mais cortes na taxa REPO é real.

Por estes motivos, continuamos a acreditar que  a moeda única irá retomar a sua depreciação a longo prazo face ao Dólar norte-americano e à Libra, atingindo a paridade com a primeira algures no terceiro semestre deste ano.

Isto, em nosso entender, constitui para as empresas uma oportunidade ideal para cobrirem a sua exposição ao Euro, em antecipação a eventuais depreciações da moeda.

 

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Written by Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.