Empresas do Reino Unido com exposição a Euro ou Dólar assistem com expectativa a novos aumentos da Libra

Enrique Díaz-Álvarez07/Mar/2016Análise do Mercado de Câmbios

De uma forma geral, durante a semana passada, assistimos a um sentimento mais positivo em relação aos mercados financeiros. O apetite pelo risco regressou e impulsionou as matérias-primas, o petróleo, as moedas dos mercados emergentes e a Libra. Há já algum tempo que vínhamos a alertar para a depreciação excessiva de que a Libra vinha a ser alvo e que parecia estar a decorrer da incerteza gerada em torno do resultado do referendo à UE, face a uma eventual vitória do Brexit. Há já algum tempo que afirmamos que tal ainda é prematuro e que a Libra está a ser subvalorizada. Contudo, na semana passada, a Libra recuperou 2,5% face ao Dólar norte-americano, o que a deixa num território mais positivo e de encontro à realidade económica do Reino Unido.

Os nossos clientes permanecem preocupados com a possibilidade de o Iene continuar a recuperar, caso o sentimento global se desvaneça. Há ainda uma grande discussão acerca de uma eventual subida das taxas de juro pela FED, em 2016. Em nosso entender, isto estará nos planos da Reserva Federal e o relatório de emprego (“payroll”) de sexta-feira (mais abaixo) sustenta esta opinião.

Por sua vez, os mercados emergentes continuam a recuperar. Isto vai de encontro às nossas previsões recentes, que indicavam que os ativos e moedas já não iriam voltar a cair.

Todas as atenções estão agora direcionadas para a importante reunião  do BCE de quinta-feira. Iremos divulgar um relatório especial e mantê-lo-emos informado acerca dos resultados.

 

EUR

A divulgação do principal indicador de inflação da Zona Euro na semana passada trouxe surpresas negativas aos mercados. A Zona Euro entrou em deflação muito devido aos baixos preços da energia, que fizeram a taxa anual cair para -0,3%. No entanto, mais surpreendente talvez tenha sido a queda da inflação subjacente em 0,3%, que normalmente é das mais estáveis, para 0,7%, pouco acima dos mínimos de sempre, de 0,6%. Estes números põem ainda mais pressão no encontro de quinta-feira do BCE. Esperamos anúncios significativos numa série de frentes, nomeadamente, taxas, flexibilização equitativa e medidas de estímulo para aliviar a pressão com a queda da rentabilidade bancária- fique atento ao nosso relatório especial do BCE. O Euro manteve-se relativamente estável na semana passada, tendo subido menos de 1% face ao Dólar, uma vez que os “traders”  aguardam os resultados do encontro do BCE.

 

GBP

Durante a semana passada, recebemos notícias bastante decepcionantes ao ficarmos a conhecer os indicadores  de sentimento empresarial PMI. O índice composto registou uma queda significativa de 3,4 pontos, para 52,8. Os comentários dos gestores  sugerem que a incerteza em torno do referendo ao Brexit desempenhou um papel de extrema importância nesta descida. Esta notícia certamente aumenta os riscos de descida em torno da nossa previsão de crescimento para o Reino Unido na casa dos  2%. No entanto, as pesquisas mais recentes continuam a dar uma pequena vantagem ao lado “bremain”, pela permanência na UE, e esperamos que esse resultado tenha um impacto muito positivo no crescimento no PIB na segunda metade do ano.

 

USD

Os mercados estiveram atentos ao relatório de emprego (“payroll”) de sexta-feira para detectar se havia sinais de oscilações financeiras globais e se a desaceleração económica estava a ter impacto no mercado de trabalho dos  EUA.  Claramente não estão. A economia norte-americana gerou 242.000 empregos em Fevereiro e os números dos dois meses anteriores foram revistos em alta, nos 30.000.

Isto coloca o ritmo médio da criação de emprego em cerca de 225.000, um ritmo muito positivo neste ciclo.  O desemprego permaneceu nos 4,9% mas a força de trabalho subiu 0,2% , o que demonstra que o mercado de trabalho está a atrair nova mão de obra. O único dado decepcionante  foi a descida dos salários para 0,1% por mês, após o aumento de 0,5% em Janeiro.

A mensagem da FED é clara: embora não haja  preocupações imediatas acerca dos salários, a economia interna dos EUA não tem sido impactada pelas volatilidades do mercado. Ainda assim os mercados  continuam a descontar menos de uma subida da de taxas de juro por parte da FED para 2016.  Trata-se, na nossa opinião,  de uma fixação incorrecta de preços e uma vez que seja corrigida, esperamos que o Dólar regresse à sua tendência de subida.

 

 

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Written by Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.