Mercados financeiros mundiais assistem a semana volátil e o mercado de câmbios não é excepção

Enrique Díaz-Álvarez15/Feb/2016Análise do Mercado de Câmbios

As principais moedas tiveram um desempenho misto em relação ao dólar norte-americano, com o iene japonês, o franco suíço e, de forma incongruente, o rand sul-africano, a registarem ganhos significativos. O iene assistiu à sua maior subida em duas semanas face ao dólar desde 1998, tendo já aumentado 6% em 2016.

Por sua vez, o real brasileiro e o peso mexicano assistiram a quedas acentuadas, enquanto que a maioria da moedas europeias terminaram a semana quase inalteradas. O destaque da semana foi para a audição da presidente da Reserva Federal, Janet Yellen,  no Congresso, onde  recorreu a um tom cauteloso e sem se comprometer. A mensagem subliminar parece ser que a subida das taxas de juro em Março continua a ser provável, sempre que não haja grandes quedas no mercado.

Os ativos de risco estiveram com dificuldades até sexta-feira, dia em que foram publicados dados mais positivos por parte dos EUA. Estes levaram a uma recuperação que deixou o preço do petróleo inalterado no final da semana e ajudou os mercados de bolsistas mundiais a recuperar metade das suas perdas.

As recentes movimentações do mercado parecem deixar antever que assistimos a alguma capitulação na quinta-feira. A subida de sexta-feira, tanto do dólar, como das acções, apesar das poucas informações publicadas, poderão indiciar que as posições tomadas com base nas expectativas de consenso de mercado em 2015 (tanto em relação às acções, como ao dólar), já se dissiparam. Se assim for, esperamos que o dólar retome a sua apreciação gradual ao longo dos próximos meses.

O centro das atenções desta semana ira para a Reserva Federal, que, na quarta-feira à noite, irá anunciar as minutas da reunião da FOMC de Janeiro.

 

EUR

Os dados económicos da Zona Euro sofreram uma reviravolta pela negativa na semana passada. O crescimento no quarto trimestre de 2015 manteve-se lento, caindo para 1,5%, sendo que no trimestre anterior, estava a 1,6%. A nível individual, é de notar que Portugal e Itália tiveram um crescimento abaixo das expectativas. Piores notícias surgiram pela mão da produção industrial de Dezembro, o que contrariou os prognósticos de um ligeiro aumento, tendo afundado mais de 1%. Esta fraqueza deixa como quase certo que o BCE irá anunciar mais medidas de estímulo no seu encontro de Março, o que deverá ajudar a limitar a apreciação da moeda única.

GBP

A semana passada não foi muito significativa em notícias económicas. Assistimos a uma produção industrial decepcionante  no mês de Dezembro, com uma descida de 1,1%, embora a maior parte da fraqueza tenha sido gerada pela publicação dos dados energéticos, que terão sido piores, devido às condições climatéricas, mais quentes que em anos anteriores. Outros indicadores continuam  a ser consistentes com  crescimento da economia em cerca de 2%. Ainda esperamos por subidas das taxas de juro pelo Banco de Inglaterra mais cedo que o mercado espera e acreditamos que já vimos a libra a atingir os seus mínimos, particularmente em relação ao euro.

USD

As notícias positivas da semana passada, tanto desde o mercado de trabalho (relatório JOLTS), como das vendas a retalho parecem confirmar que a procura doméstica dos Estados Unidos está a reagir bem uma queda acentuada dos mercados.

A presidente da Reserva Federal, Janet Yellen, recorreu a um tom optimista durante o seu Relatório Monetário  perante o Congresso, durante a semana passada.
Este contraste, entre o testemunho de Yellen e o mercado das taxas de juro a descartar a hipótese de uma subida em Março, parece abrir caminho a uma fixação incorrecta de preços, cuja correcção deverá conduzir a futuros ganhos do dólar em relação às restantes grandes moedas do G10.

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Escrito por Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.