Os indícios de mais estímulos do BCE poderão acalmar os mercados mundiais e afundar o Euro

Enrique Díaz-Álvarez25/Jan/2016Análise do Mercado de Câmbios

Na semana passada voltámos a assistir a tensões nos mercados, com volatilidades e quedas da atividade económica, até que as declarações do Presidente do BCE, Mario Draghi, na quinta-feira, acalmaram os mercados. O Banco Central Europeu foi de encontro às nossas esperanças para um maior alívio durante o início de 2016 e Draghi sugeriu fortemente que isto poderia ocorrer já em Março. Como um mar de liquidez do BCE poderá compensar o aperto da Reserva, os mercados mundiais mostraram sinais de alívio e os activos de risco mobilizaram-se em uníssono, incluíndo acções, matérias-primas e moedas de mercados emergentes, que recuperaram das suas baixas do final da semana. O reverso da medalha foram as pressões no Euro, que terminou a semana em baixa, ao contrário das outras maiores moedas, à excepção do franco suíço e do iene japonês.

A Libra finalmente conseguiu estabilizar frente ao Dólar e recuperar face ao Euro, pela primeira vez, desde há semanas. No entanto, os comentários pessimistas de Carney,levam-nos a esperar volatilidades no referendo para a saída da União Europeia e ausência de pressões salariais apesar de o mercado de trabalho nos levar a adiar as nossas expectativas de aumento do Banco de Inglaterra até ao quarto trimestre de 2016. Iremos rever as nossas estimativas para a Libra ligeiramente em baixa,  como resultado contra o dólar norte-americano.

Os nossos clientes estão claramente a tirar partido do sell off do Euro pós BCE, para tentar vender nestes níveis mais atractivos, numa série de situações.

 

EUR

Após ter passado as últimas semanas em modo de espera, a moeda única parece ter retomado a sua tendência de queda face ao Dólar norte-americano durante a semana passada, no seguimento dos comentários ligeiramente pessimistas do presidente do BCE.  O encontro do BCE foi de encontro às nossas expectativas, ao deixar a porta ligeiramente aberta a maiores estímulos em reuniões futuras, possivelmente até já em Março. Isto seria muito antes do que antecipavam os mercados, o que coloca o euro par a sua posição mais baixa e duas semanas face ao dólar norte-americano. Por outro lado, o BCE deixou bem claro que espera que a inflação permaneça em baixa, talvez até negativa, com riscos de queda no estrangeiro a aumentar a volatilidade do mercado financeiro desde a reunião de Dezembro.

As notícias económicas acumularam mais pressão no Euro desde sexta-feira. Os dados preliminares sobre o inquérito relativo ao sentimento empresarial do PMI para o mês de Janeiro demonstram uma descida surpreendente. O índice composto desceu quase um ponto para 53.5, o nível mais baixo desde há quase um ano. Aparentemente, a recente volatilidade o mercado está a abalar a confiança empresarial e acreditamos que é quase certo que iremos assistir a mais estímulos económicos já em Março, na reunião do BCE.

GBP

O relatório do mercado de trabalho de Novembro trouxe mais do mesmo para o Reino Unido. O desemprego continua a baixar e agora está nos seus mínimos desde 2005, em 5,1%. Contudo, o mercado de trabalho ainda tem de se traduzir em pressões salariais.  Os ganhos semanais caíram de 0,1% para 1,9% ao ano. Estes resultados ligeiramente insatisfatórios são um dos factores chave que nos levam a atrasar  da nossas previsões para a  primeira subida do Banco de Inglaterra até ao último trimestre de 2016. Outra razão chave para  esta mudança em vista, são os comentários ligeiramente pessimistas da semana passada, por parte do governador Carney. Ele focou-se, quase exclusivamente nas razões par não aumentar as taxas e continuou a expressar perplexidade pela ausência de pressões salariais, enquanto o mercado de trabalho aperta. Também expressou preocupações pelos risos de queda das perspectivas económicas trazidos pelas recente volatilidade financeira. É bastante claro que os 8 membros  do Comité de Política Monetária que têm vindo a votar a manutenção das taxas de juro não deverão mudar em breve, pelo que nós decidimos adiar as nossas previsões pela primeira subida das taxas de juro pelo Banco de Inglaterra, para o quarto trimestre de 2016.

USD

A única notícia económica da semana passada nos Estados Unidos foi a inflação abaixo do esperado, sobrecarregada pela descida dos preços dos alimentos. No entanto, o número de inflação principal mais relevante, porque exclui a volatilidade dos componentes alimentares e energéticos voláteis, e é o melhor indicador  como a verdadeira inflação passou de 0,1% para 2,1% no último ano, é o nível mais alto desde 2012. Todas as atenções dos investidores estão agora centradas no encontro do Comité  de Operações de Mercado Aberto do Sistema da Reserva Federal (Federal Open Market Committee – FOMC)  durante a próxima semana. Espera-se que a Reserva  mantenha as taxas de juro, mas o tom do discurso será fundamental para  saber até que ponto as volatilidades financeiras dos mercados estão a afetar as intenções declaradas so FOMC, de aumentar as taxas de juro em cerca de 0,25% em cada semestre.

 

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Written by Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.