Volatilidade das moedas dispara perante receios da pandemia
O agravamento acentuado da epidemia de coronavírus, que levou à paralisação da Itália e Espanha, abalou os mercados financeiros mundiais.
A
reação inicial foi de valorização do Euro, com a curva de juros nos EUA a desaparecer e os mercados a contarem com a Reserva Federal a cortar as taxas de juro para zero. No entanto, o agravamento das notícias epidémicas na zona Euro fizeram reverter a situação. No final, o dólar reafirmou-se como moeda de refúgio e valorizou contra todas as outras principais moedas do mundo. No fim da semana, o Euro, o Franco Suíço e o Iene mantiveram-se relativamente bem, embora as mudanças modestas nessas moedas em relação ao Dólar não reflitam a enorme volatilidade ocorrida durante a semana.

Esta semana, o foco será nas medidas extraordinárias adotadas pelos governos e bancos centrais para suavizar o duro golpe da pandemia na economia mundial. Como foi anunciado, a Reserva Federal reduziu as taxas para zero numa reunião de emergência, uma medida que deve ser seguida por todos os bancos centrais do G10 que ainda possuem taxas positivas. Também devemos verificar medidas agressivas para apoiar a procura, o emprego, as PME e as finanças domésticas, principalmente na zona do euro, que está a sofrer o grande impacto da crise neste momento. Os dados económicos divulgados esta semana estarão irremediavelmente desatualizados pois não incluem o efeito da crise e por essa razão os mercados irão provavelmente ignorá-los.

EUR


Com Espanha e Itália em quarentena, e França perto dessa situação, a incerteza caíu sobre a economia da Zona Euro. A boa notícia é que as autoridades monetárias e fiscais estão a reagir rapidamente. O BCE corrigiu a falta de comunicação de Lagarde na reunião de quinta-feira e deixou claro que garantirá que os títulos soberanos da Zona Euro vão permanecer estáveis. Os governos europeus estão a preparar estímulos fiscais e várias formas de apoio a famílias e empresas para superar os bloqueios e consequente queda na procura. A promessa de 500 biliões de Euros da Alemanha é particularmente bem-vinda neste contexto. Uma combinação de tolerância bancária, taxas extremamente baixas e estímulo fiscal é um antídoto poderoso para as consequências económicas e financeiras da pandemia, e estamos otimistas de que a economia da Zona Euro possa recuperar rapidamente após o final dos bloqueios.

GBP


O Banco da Inglaterra reduziu as taxas para 0,25% e lançou uma série de iniciativas para facilitar o fluxo de crédito, principalmente para as PME. A libra esterlina teve pouca atenção e teve uma semana difícil contra o dólar e o euro, entre a fuga dos ativos de risco. No entanto, acreditamos que a significativa flexibilização fiscal anunciada no orçamento seja um aspecto positivo significativo a médio prazo, e que a libra esteja atualmente seriamente desvalorizada após as quedas acentuadas da semana passada.

USD


A meio da semana, o dólar inverteu a tendência e tornou-se a moeda preferida dos investidores que fogem do risco. A percepção de que os EUA não estão a ser tão afetados quanto a Europa pela pandemia poderá ter tido influência. No entanto, os números de infectados nos EUA também estão a piorar rapidamente, mesmo tendo em consideração do número limitado de testes. Com a Fed a adoptar medidas agressivas, incluindo cortes de emergência nas taxas e Quantitative Easing adicional, será fundamental verificar se o rally do dólar continua, à medida que os EUA tomem resoluções mais duras como as que estamos a verificar na Europa.

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