A semana passada revelou-se muito agitada para os mercados cambiais
O Euro, em particular, teve alguns dias de extrema volatilidade. A moeda comum subiu para máximos de há sete semanas, na quarta-feira, depois de a Reserva Federal ter revisto de forma abrupta as projeções das taxas de juro, na sequência da sua última reunião de política monetária.
O conjunto de índices PMI da atividade empresarial, algo desastroso, que saiu na passada sexta-feira relativamente à Zona Euro enviou a moeda de volta para níveis inferiores a 1,13, gerando receios de uma recessão da Zona Euro.

No Reino Unido, Theresa May conseguiu garantir um ligeiro adiamento do prazo para o Brexit, ainda que menor do que ela esperava. O Brexit continuará a dominar a atividade dos mercados cambiais esta semana. Espera-se que May submeta o seu acordo de saída à terceira votação na Câmara dos Comuns, possivelmente na terça-feira, embora as probabilidades de nova rejeição sejam enormes.

EUR



Os índices PMI da Zona Euro da semana passada foram uma enorme deceção, fazendo com que o Euro caísse mais de meio por cento em relação ao Dólar americano, na sexta-feira. Embora o índice de serviços se tenha mantido relativamente bem, a atividade industrial continua numa tendência de queda acentuada. O índice caiu para apenas 47,6, em março, claramente em território contracionista, situação impulsionada, em grande parte, por um fraquíssimo desempenho do sector industrial alemão.

Estes dados constituem um desenvolvimento preocupante, porque reacendem as preocupações de que a economia da Zona Euro pode estar a caminhar para uma recessão em 2019. Em nosso entender, são mais um prego no caixão de qualquer esperança de que o BCE possa aumentar as taxas em algum momento, no final deste ano. Esta falta de ação política é, acreditamos, suscetível de manter o Euro nos níveis baixos a que temos vindo a assistir este ano.

GBP


Na semana passada, a Libra continuou a comportar-se como uma moeda de mercados emergentes. As preocupações em torno de uma saída “sem acordo” provocaram uma queda a pique na quinta-feira, embora a moeda tenha conseguido recuperar no final da semana depois de a UE ter concedido ao Reino Unido algum adiamento do prazo.
O Reino Unido poderá agora sair da UE em 22 de maio, na condição de que Theresa May consiga fazer aprovar o seu acordo no Parlamento. Caso este seja novamente rejeitado, a data de saída da UE será empurrada até 12 de abril e o Governo terá de solicitar um adiamento maior ou arriscar-se a sair sem um acordo. Se for esse o caso, acreditamos que a Libra poderá chegar bem abaixo da marca de 1,30, com os investidores a prepararem-se para a possibilidade de que o Reino Unido deixe a UE em pouco mais de duas semanas sem um acordo em vigor.
No entanto, continuamos a acreditar que um adiamento prolongado do processo do Brexit ou um acordo negociado são os resultados mais prováveis, o que deve manter a Libra acima do nível de 1,30.

USD


No nosso relatório prévio do FOMC tínhamos referido que a chave para a reação do Dólar americano não era se o Fed iria rever em baixa as suas projeções de aumento da taxa, mas sim em quanto o iria fazer. Este provou ser o caso na quarta-feira, depois que o último “dot plot” do Fed ter indicado que os decisores políticos já não esperam subir as taxas de juro este ano. Isto representa um enorme afastamento em relação às duas subidas previstas em dezembro e uma revisão em baixa bem mais evidente do que o mercado previra.

Os investidores debateram-se para ter em conta os cortes nos juros do Fed para os próximos anos. A nosso ver, no entanto, isto é um pouco exagerado. Em vez disso, esperamos que a política se mantenha sem grandes alterações durante os restantes meses do ano de 2019. Reiteramos que a atual configuração, que alia taxas baixas nos EUA a um crescimento constante em todo o mundo, é um cenário muito positivo para as moedas dos mercados emergentes.

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