Retração do Dólar perante sinais de arrefecimento do acordo comercial
O tema da semana relativamente às moedas do G10 foi a retração do Dólar americano decorrente do ruído negativo em torno da guerra comercial e das notícias económicas um pouco mais positivas saídas da Zona Euro.
N
o entanto, a estrela da semana foi o Dólar neozelandês, na medida em que o RBNZ rompeu laços com outros bancos centrais e recusou-se a confirmar as expectativas do mercado de cortes nas taxas de juro, mantendo a sua política intacta. Entre as moedas do G10, o Dólar australiano foi a que apresentou o pior desempenho, num aparente relaxamento forçado decorrente das posições das moedas AUD/NZD. As moedas dos mercados emergentes desvalorizaram de modo geral, arrastadas pelo Peso chileno que caiu em resultado das preocupações políticas.

Nesta semana, as atenções devem voltar a centrar-se nas notícias macroeconómicas. Os índices PMI da atividade comercial na Zona Euro publicados na sexta-feira constituem a fonte de dados mais crítica. Será de esperar alguma volatilidade após a publicação das atas da última reunião da Reserva Federal, realizada na quarta-feira, e da reunião do BCE, na quinta-feira.

GBP


O conjunto de publicações macroeconómicas sobre a inflação, o crescimento e o mercado laboral não passou das expectativas ou ficou mesmo ligeiramente aquém. No entanto, a Libra foi impulsionada pela vantagem de que gozam os Conservadores em relação aos Trabalhistas nas sondagens, decorrente da decisão do partido do Brexit de se retirar das eleições convocadas para evitar a dispersão dos votos de direita. Embora a experiência de 2017 nos faça recordar que ainda existe folga para os Trabalhistas recuperarem o atraso, de momento o cenário mais provável será uma vitória clara de Johnson e um Brexit em termos não muito diferentes do último acordo de saída.

EUR


A notícia de que a Alemanha, por pouco, evitou uma recessão e ajudou a Zona Euro a crescer acima das expectativas revelou-se um trunfo para o Euro e para as moedas europeias em geral. Os dados sobre a produção industrial e o mercado de trabalho também excederam as expectativas. Na nossa perspetiva, a economia da Zona Euro parece decidida a fintar a recessão e a retomar o crescimento. Os dados dos índices de atividade empresarial PMI publicados na sexta-feira são mais críticos do que habitualmente, e prevemos que assinalem outra melhoria sólida das condições que deverão silenciar as vozes que falam de novas medidas de estímulo tomadas pelo BCE no curto prazo. A moeda comum deverá beneficiar com tudo isto.

USD


Ao contrário da Zona Euro, os destaques económicos dos EUA são mais fracos do que o previsto, embora nada nestes dados nos suscitem ainda preocupações relativamente a um abrandamento sustentado do crescimento. Os dados previstos para esta semana serão principalmente de segunda linha, pelo que os traders terão os olhos postos na ata da última reunião do FOMC para confirmar se o Fed está a aguardar para ver o que traz o futuro imediato.
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