Prossegue recuperação dos mercados emergentes enquanto investidores buscam maior rendibilidade
À medida que as tensões comerciais entre os EUA e a China se atenuam e os dados provenientes da China melhoram, os investidores sentem-se cada vez mais confortáveis com o enquadramento macroeconómico e político global.
Consequentemente, o desempenho geral dos ativos de risco continua a ser positivo, registando uma recuperação das quedas acentuadas sofridas no final de 2018. Na semana passada, quase todas as principais moedas dos mercados emergentes registaram uma valorização face ao Dólar americano, enquanto as moedas do G10 se mantiveram dentro dos intervalos mais estreitos registados nos últimos tempos. A única exceção foi o Dólar neozelandês, que caiu mais de 1%.

Esta semana, os mercados cambiais serão impulsionados pelo BCE e pela Reserva Federal. Esta última publicará as atas da última reunião, enquanto o primeiro realizará a sua reunião de abril. Prevê-se que ambos os bancos centrais reiterem junto dos mercados a sua posição de aguardar para ver no que se refere ao futuro próximo.

EUR



O BCE recebeu, na semana passada, mais más notícias, com a taxa de inflação subjacente preliminar de março a registar um valor abaixo do esperado (0,8% contra os 0,9% esperados pelo mercado). Isto significa que se mantém longe da meta do BCE de “perto mas abaixo de 2%”, tendo descido ao nível mais baixo em praticamente um ano. As vendas a retalho, em fevereiro, na Zona Euro, posicionaram-se 2,8% acima dos níveis registados no ano anterior. Em suma, parece bem provável que a economia continue a alcançar ganhos moderados em 2019, sustentados pelo estímulo monetário do BCE.

Não é de esperar que a reunião de abril, na quinta-feira, traga mudanças para a política monetária, mas a opção do BCE de reforçar os estímulos e o efeito das taxas negativas no sistema bancário serão alvo de discussão acesa.

GBP



Theresa May tentou romper o impasse em relação ao Brexit ao iniciar conversações com Jeremy Corbyn, o líder da oposição. No momento em que escrevemos esta análise avistam-se poucos progressos, pelo que um adiamento prolongado ou vários adiamentos do prazo para o Brexit parece ser cada vez mais o cenário provável. Os dois principais fatores impulsionadores da Libra esterlina esta semana serão os avanços nas conversações entre May e Corbyn (caso existam) e a reunião do Conselho da EU, na quarta-feira, quando será tomada uma posição em relação ao pedido de May de adiamento da saída para 30 de junho.

USD



A criação de emprego nos EUA recuperou em março da quebra acentuada sofrida em fevereiro. Assim sendo, os dados do mercado de trabalho reforçam a análise de que o abrandamento das primeiras semanas de 2019 foi um fenómeno temporário, possivelmente impulsionado, pelo menos em parte, por particularidades estatísticas de ajustes sazonais no primeiro trimestre. Além das atas da Reserva Federal, da reunião de março, os dados sobre a inflação publicados na quarta-feira porão à prova a nova posição da Reserva Federal de que pode encarar com tranquilidade as pressões inflacionistas e não alterar as taxas até ao fim do ano de 2019.

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