Libra valoriza à medida que os perspetivas de uma saída sem acordo se dissipam
A continuação da recuperação da Libra Esterlina foi o único aspeto claro numa semana de movimentações cambiais contraditórias.
A primeira-ministra Theresa May anunciou que permitirá ao Parlamento votar sobre o prolongamento do prazo de 29 de março, caso o seu acordo seja novamente rejeitado em 12 de março. Isto parece reduzir as hipóteses de uma saída da UE sem acordo, tendo a Libra reagido com uma nova valorização de 2% face ao Dólar. A maioria das restantes moedas do G10 mantém-se dentro do intervalo.

Esta semana, a reunião de março do BCE, na próxima quinta-feira, é motivo de grande preocupação. Na sexta-feira, prevê-se ainda que o relatório sobre o emprego americano relativo a fevereiro provoque também alguma volatilidade. E, como sempre, a imprevisibilidade das manchetes políticas em torno das conversações comerciais entre os EUA e a China e das negociações do Brexit deve manter os investidores em alerta.

EUR



A quebra da inflação subjacente da Zona Euro para 1,0% e os recentes dados económicos dececionantes não podem ter sido bem acolhidos pelo BCE. O fator-chave para a moeda comum será a medida em que o banco central irá rever em baixa as suas estimativas de crescimento e da inflação, na reunião de março, a ter lugar na quinta-feira. No entanto, convém sublinhar que os mercados já estão a contar com uma viragem muito cautelosa, e que o diferencial em relação às taxas americanas a um ano está perto de atingir os níveis mínimos do ano, considerando que nos EUA se verificou uma tendência semelhante. Portanto, deverá prestar-se mais atenção aos dados macroeconómicos, como os dados industriais da Alemanha, França e Itália, para avaliar se a debilidade recente é cíclica ou resulta de fatores extraordinários.

GBP



Embora os dados macroeconómicos publicados na semana passada no Reino Unido tenham sido indiscutivelmente fracos, os mercados cambiais continuam concentrados exclusivamente no Brexit e numa possível saída sem acordo. Este resultado tornou-se bem menos provável depois de Theresa May ter aceitado deixar o Parlamento pronunciar-se a este respeito, caso o seu acordo não seja aprovado em 12 de março. Os apostadores acreditam agora haver uma probabilidade de um para seis de tal vir a acontecer, muito abaixo dos 35% de há algumas semanas atrás. A Libra reagiu bem, naturalmente, embora se pense que a valorização seja interrompida até surgirem novas notícias ou a votação de março se realizar.

Na próxima semana, os índices PMI de atividade do sector dos serviços sairão na terça-feira, mas continua a acreditar-se que as notícias sobre o Brexit serão o principal motor da Libra.

USD



A semana será marcada dois acontecimentos importantes: por um lado, a publicação do Livro Bege da Reserva Federal e alguns discursos proferidos por quadros desta instituição, na quarta-feira; por outro, o relatório sobre o emprego de fevereiro, aguardado na sexta-feira. No entanto, mais importante ainda são os rumores escritos de que um acordo sobre as tarifas aduaneiras entre os EUA e a China já está em preparação. Se se confirmar, o atual ambiente de taxas baixas nos EUA, crescimento regular e afastamento da ameaça de uma guerra comercial mundial será particularmente favorável a uma valorização das moedas dos mercados emergentes.
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