Libra sobe à medida que os acontecimentos políticos diminuem as hipóteses de um Brexit sem acordo
Na semana passada, a Libra brilhou entre as principais moedas, ultrapassando todos os seus pares do G10, com transações acima do nível de 1,30 face ao Dólar.
O catalisador foi a saída de vários deputados britânicos do partido conservador e do partido trabalhista, reforçando a perspetiva de um claro voto parlamentar contra um Brexit sem acordo. De resto, a subida dos preços do petróleo, refletindo preocupações com as sanções contra a Venezuela, os rumores positivos sobre o estado das conversações comerciais entre os EUA e a China e o tom afirmativo em relação aos ativos de risco em todo o mundo conduziram à valorização geral das moedas dos mercados emergentes, especialmente as que se encontram mais expostas aos preços das matérias-primas.

Na próxima semana são esperadas notícias dos EUA sobre as negociações comerciais com a China, tendo em conta o prazo de 1 de março. Mantemos algum otimismo quanto à elevada motivação da administração Trump para obter um resultado positivo neste campo, após uma série de derrotas políticas internas. Na sexta-feira, a atenção dos investidores estará focada nas estimativas sobre a inflação da Zona Euro, para fevereiro. Novas subidas nos principais dados ofereceriam apoio ao Euro.

EUR



Os dados económicos da semana passada foram um misto de positivos e negativos, o que, no mínimo, é um passo em frente em relação às frustrações das últimas semanas. Mais importante ainda é o facto de os indicadores de atividade do sector dos serviços PMI terem subido, compensando os resultados novamente dececionantes da indústria transformadora e resgatando o importantíssimo índice compósito da queda vertical. Este facto sustenta, de algum modo, a nossa opinião de que a criação de emprego a níveis saudáveis na Zona Euro e os aumentos salariais modestos, mas reais, afastam a possibilidade de uma recessão.

GBP



As notícias acerca do Brexit ofuscaram mais uma vez outras novidades relativas à Libra. No entanto, convém realçar que, até agora, o mercado laboral britânico mostrou poucos sinais dos efeitos negativos das incertezas relativamente ao Brexit. O relatório labora do último trimestre de 2019 mostrou fortes níveis de criação de emprego, aliados a ganhos salariais positivos. Embora a Libra tenha sido essencialmente sustentada pelas notícias da demissão de onze deputados parlamentares pró-Europa, dos partidos trabalhista e conservador, os dados favoráveis do mercado laboral também terão seguramente ajudado. Na próxima semana, as atenções estarão concentradas no discurso que a Primeira-ministra May irá apresentar na terça-feira.

USD



Os fracos dados económicos saídos dos Estados Unidos da América imprimiram ao Dólar, na semana passada, um ambiente geralmente negativo. As actas evasivas da última reunião da Reserva Federal contribuíram pouco para alterar esta situação.

Não se avista qualquer catalisador claro que possa vir a alterar os intervalos recentes de negociação do Dólar face às moedas do G10, pelo menos nas próximas semanas. No entanto, reiteramos a nossa visão otimista das moedas dos mercados emergentes num ambiente em que as taxas dos EUA são baixas e estáveis, sem quaisquer sinais de recessão à vista em nenhum dos principais blocos económicos mundiais.
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