Libra bate novos recordes com recusa do Brexit sem acordo pelo Parlamento
A política britânica voltou a dominar os mercados cambiais na semana passada. Como esperávamos, o Parlamento rejeitou mais uma vez o acordo com a UE por uma grande maioria, mas além disso rejeitou também um Brexit sem acordo e adiou o prazo de 29 de março.
O otimismo resultante do afastamento do pior cenário levou a taxa de câmbio GBP/USD para os níveis mais elevados desde julho do ano passado. As moedas europeias juntaram-se à Libra na comemoração, à medida que a subida mundial dos ativos de risco colocou uma oferta em todas as moedas do G10, exceto nas moedas de refúgio tradicionais – o Iene japonês e o Franco suíço.

Esta semana, a reunião de março do Fed, na quarta-feira, vai voltar a desviar as atenções dos investidores para a política monetária. A política britânica continuará a movimentar os mercados, com Theresa May a submeter o seu acordo com a UE a uma terceira votação no Parlamento na terça-feira. Finalmente, a divulgação dos dados provisórios dos índices de atividade empresarial PMI da Zona Euro, na sexta-feira, possibilitará uma leitura crítica quanto ao verdadeiro estado da economia nesta região.

EUR



Na semana passada, os dados da produção industrial do mês de janeiro foram em geral uma surpresa positiva da Zona Euro. Notamos que, apesar do comentário sombrio sobre a economia da Zona Euro, o tom das notícias sobre economia melhorou claramente nas duas últimas semanas. A nossa visão positiva será testada na sexta-feira, quando os principais índices de atividade empresarial PMI forem divulgados. Esperamos uma surpresa pela positiva, particularmente na indústria, o que poderá provocar uma modesta recuperação do Euro, com um regresso ao centro do seu intervalo de valores dos últimos meses, ou seja, próximo de 1,15.

GBP



Só o Brexit e nada mais que o Brexit. As três votações da semana passada decorreram como previsto: Não ao acordo de May, Não ao Brexit sem acordo e Sim ao adiamento. Theresa May parte agora para uma terceira tentativa, na terça-feira. Prevemos que seja uma votação mais renhida do que a da semana passada, mas ainda assim uma rejeição, já que o fosso entre as partes é grande demais para ser ultrapassado. Se estivermos errados e o acordo passar, podemos esperar uma valorização significativa da Libra para além da já verificada na semana passada. O foco está agora na cimeira da UE no fim-de-semana, que deverá ter de lidar com um pedido de adiamento formal do prazo de 29 de março. A nosso ver, quanto maior o adiamento, mais a Libra ganhará força, já que os mercados começarão a encarar a possibilidade de um segundo referendo.

USD



O foco desta semana será, obviamente, a reunião da Reserva Federal, na terça e quarta-feira. Não se espera nenhuma mudança no nível das taxas. No entanto, espera-se que o Fed anuncie que vai retomar o reinvestimento das obrigações no seu balanço, à medida que vão sendo atingidas as datas de maturidade, uma decisão ligeiramente estimulante. A chave será o gráfico "dot plot" que traduz as expectativas dos membros do Comité FOMC quanto à trajetória futura das taxas. Na nossa perspetiva, tudo indica que a generalidade dos membros do comité não prevê alteração das taxas em 2019, um resultado um pouco mais tímido do que esperado pelos mercados. Por conseguinte, pensamos que, no cômputo geral, é mais provável que o Dólar sofra perdas na próxima semana.
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