Intervalos nos mercados cambiais aguentam-se face a variações nos mercados acionistas
A volatilidade inusitada dos mercados acionistas durante o período de férias não contaminou os mercados cambiais – com uma exceção gritante.
No dia 3 de janeiro, já a noite tinha caído em Londres, a falta de liquidez em Tóquio, devido a um feriado local, desencadeou, em apenas alguns segundos, uma valorização maciça do Iene face às moedas do G10, acabando por perder todos os ganhos de uma forma quase tão rápida. O Iene chegou a estar no primeiro lugar do G10 durante o período natalício, mas a Libra esterlina, o Euro e o Dólar acabaram todos praticamente na mesma posição em que começaram.

A consequência mais significativa do alvoroço do Natal para os mercados de capitais foi a mudança significativa nas expectativas em relação às manobras da Reserva Federal. Os mercados não preveem subidas em 2020, estando aliás a apostar na forte probabilidade de um corte. Continuamos a acreditar que tal não se compatibiliza com os dados ainda fortes refletidos, por exemplo, no relatório de dezembro sobre o emprego nos EUA, e esperamos que esta tendência seja parcialmente revertida.

Esta semana não deverá apresentar grandes novidades, estando as atenções voltadas para as questões políticas: um possível acordo comercial entre os EUA e a China e o retomar do debate no parlamento britânico sobre o acordo de saída do país da UE.

EUR



Da Zona Euro têm saído ultimamente números ameaçadoramente fracos. Os índices PMI da atividade comercial têm registado quebras globais significativas, embora se mantenham por enquanto em níveis expansionistas. Não é claro quanto desta tendência reflete um sentimento negativo generalizado em relação aos conflitos políticos resultantes da situação em Itália e do Brexit e o sentimento negativo do mercado acionista. Aguardamos pelos números deste mês antes de introduzirmos alterações significativas na nossa avaliação futura do Euro e da economia da Zona Euro. Não existe abundância de dados esta semana, pelo que a moeda comum deverá ser comercializada com base em desenvolvimentos noutras partes do mundo.

GBP



Os olhos estão todos postos no parlamento, que retoma hoje as suas atividades após a pausa natalícia. Prevê-se que a primeira votação tenha lugar na próxima semana, sendo de esperar que o acordo não passe. O essencial será ver se a votação é suficientemente forte para dar um empurrão à Primeira-ministra Theresa May no esforço de obter algumas concessões por parte da UE, que lhe permitam aprovar uma nova proposta de acordo em votações subsequentes. No entanto, de momento, as apertadas posições em relação à Libra são maioritárias, visto que é uma das negociações mais especulativas e populares de momento. Isto significa que qualquer notícia positiva relativamente ao Brexit poderá resultar numa violenta viragem ascendente da Libra.

USD



As variações bruscas das expectativas em relação à futura política da Reserva Federal parecem-nos injustificadas. O relatório sobre o emprego nos EUA apresentou resultados muito fortes, com a subida do número de empregos criados. Verificamos que o aperto no mercado de trabalho se traduz numa pressão sobre a subida dos salários, o que é um bom augúrio para as despesas dos consumidores em 2019. Sem sinais de recessão à vista, prevê-se que a Reserva Federal adote uma atitude de “esperar para ver”, mas antecipamos mais uma ou duas subidas das taxas neste ciclo antes de as taxas do Fed estabilizarem entre os 2,5 e os 2,75%. O nível baixo mas estável das taxas deverá ser capaz de sustentar os ativos de risco em geral, em especial as moedas mais fracas dos mercados emergentes.
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