Fim da paralisação do governo norte-americano não ajuda o Dólar
O fim da paralisação do governo norte-americano de Donald Trump serviu de pouco ao Dólar americano na semana passada.
Trump cedeu, por fim, à pressão crescente, quando os efeitos da histórica paralisação de 35 dias começavam a ser sentidos no caos dos aeroportos. O presidente anunciou um acordo que poderá permitir a reabertura do governo, pelo menos até ao dia 15 de fevereiro. No entanto, paradoxalmente, o Dólar americano sofreu uma queda abrupta quando os investidores abandonaram as moedas de refúgio e se viraram para as moedas de risco.

Em Frankfurt, Mario Draghi partilhou mais uma avaliação conservadora da economia da Zona Euro, após a última reunião do BCE, voltando a adiar as expectativas sobre a data em que será anunciada a primeira subida das taxas de juros desde 2011. Entretanto, a Libra bateu a marca de 1,32 face ao Dólar, na esperança de que a Grã-Bretanha consiga evitar um Brexit descontrolado, sem acordo.

Esta semana, as atenções estão centradas na votação parlamentar do Plano B de Theresa May para a saída, que terá lugar na terça-feira, na reunião do Comité FOMC, na quarta-feira, e no relatório sobre o emprego nos Estados Unidos da América, que sai na sexta-feira.

EUR



Na quinta-feira passada, o Euro aproximou-se dos níveis mais baixos em relação ao Dólar, desde meados de dezembro, arrastado por um BCE cauteloso e por sinais de uma nova queda dos dados económicos.

O importante PMI compósito, o principal indicador de atividade do bloco, abrandou para apenas 50,7 em janeiro, o valor mais baixo dos últimos 66 meses. O Presidente do BCE, Mario Draghi, afirmou, após a reunião de política monetária que teve lugar na quinta-feira, que as informações recebidas eram “mais fracas do que se esperava”. Além disso, afinou a retórica da sua declaração para o equilíbrio do risco do crescimento, deixando de dizer “está a inclinar-se para o lado negativo” para afirmar que “virou para baixo”.

O tom cauteloso das comunicações do BCE, na semana passada, reforça assim a nossa visão de que a primeira subida das taxas de juro do bloco, desde 2011, ainda estará longe. Pensamos que ainda será necessário haver uma reviravolta significativa tanto dos dados PMI como da inflação subjacente, para manter viva em 2019 a esperança de uma subida.

GBP



Na semana passada, a Libra Esterlina voltou a apresentar um desempenho muito impressionante, acelerando em mais de dois por cento com base num crescente otimismo de que seria evitado um Brexit sem acordo. O apoio dos deputados à proposta de alteração de Yvette Cooper para um adiamento do artigo 50 empurrou a Libra para cima, tal como as afirmações de que o Partido Conservador britânico, o DUP, estaria disposto a apoiar May, na condição de incluir um limite temporal à ‘barreira’ da Irlanda do Norte.

Esta semana será novamente dominada pelo Brexit, nomeadamente pelo voto parlamentar de terça-feira. O que será votado não é o próprio acordo de May, mas sim as alterações ao projeto de lei para a retirada do Reino Unido. Acreditamos que um apoio claro dos deputados reforçará a Libra, seja ele a favor do adiamento do Brexit, de um segundo referendo, ou da exclusão de uma saída “sem acordo”.

USD



O Dólar norte-americano sofreu uma queda livre, após o anúncio de Trump na sexta-feira. Este desaire deveu-se em larga medida ao regresso do apetite dos investidores pelo risco e aos receios de que os dados económicos, cuja publicação havia sido adiada pela paralisação do governo federal, viessem a revelar o abrandamento da economia dos EUA no final do ano passado.

Os próximos dias serão importantes para o Dólar americano, em particular a reunião da Reserva Federal, na quarta-feira, e o relatório sobre os salários do sector não-agrícola, na sexta-feira. Não contamos com alterações na política da Reserva Federal, nem com mudanças significativas da respetiva retórica. O relatório sobre os salários dos EUA, uma das poucas publicações de dados económicos importantes que não se atrasou com a paralisação, deverá apontar para um crescimento salarial constante acima dos 3% e para uma criação sólida de emprego em torno da marca dos 170 mil novos postos de trabalho.
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