Euro desvaloriza para mínimos de três anos, enquanto os mercados procuram superar os receios do coronavírus.

Na semana passada, os ativos de risco e as moedas dos mercados emergentes recuperaram, uma vez que os mercados acreditam que os danos económicos causados pela epidemia do coronavírus, estão contidos e controláveis.
A
mudança de metodologia que causou um aumento dos números de pacientes registados, não alterou esta visão fundamental. Tal como se esperava, isto não está a ajudar o Euro, que desvalorizou na semana passada para o seu nível mais baixo em vários anos. Os investidores procuram encontrar operações “carry-trade” de risco com moedas de baixa rendibilidade e os dados económicos da Zona Euro continuam a traçar um quadro de quase estagnação na Europa. Enquanto isso, a Libra é a moeda com melhor desempenho das G10, impulsionada por sinais de que o governo de Boris Johnson está pronto para avançar com propostas legislativas de estímulo fiscal à economia britânica.

Esta semana é essencial para a Zona Euro. Na sexta-feira iremos obter os dados dos índices PMI da atividade empresarial e da inflação na Zona Euro. Estes dados serão os primeiros grandes indicadores económicos a serem revelados fora da China. Desta forma podemos ver nestes dados uma primeira reflexão do impacto do surto de coronavírus, pelo que poderá assistir-se a alguma volatilidade cambial em torno desta publicação na sexta-feira de manhã.


GBP


Na semana passada, a Libra recuperou em força, com a reestruturação do executivo de Boris Johnson, que foi entendida pelos mercados como um movimento em direção à criação de políticas fiscais mais flexíveis no próximo orçamento, revelado na Primavera.

Esta semana, a Libra será testada à medida que forem sendo divulgados diversos dados importantes, designadamente os índices PMI da atividade comercial, o relatório sobre o mercado de trabalho e a inflação. No entanto, todos estes indicadores são retrospectivos. Por agora, a Libra surge como um indicador-chave de apetite pelo risco e, se a nossa previsão de que o surto de coronavírus irá permanecer praticamente contido na China, haverá margem para uma valorização ainda maior da moeda nas próximas semanas.

EUR


Os dados da produção industrial e do crescimento do PIB na Zona Euro corresponderam em grande parte ao esperado pelos analistas, ou seja, foram relativamente fracos. Os dados de Dezembro, demonstraram uma das maiores contrações na economia da Zona Euro desde dos tempos da Crise Económica de 2009.

O crescimento económico da Zona Euro continua lento, porém, os dados de crescimento do emprego mantém-se saudáveis. O mercado optou por se concentrar nos primeiros dados, fazendo com que o euro tenha desvalorizado para mínimos de vários anos, no final da semana. É possível que tenhamos de esperar pelo estímulo fiscal que o BCE está a pedir, antes de vermos uma recuperação sustentada do Euro.

USD


Na semana passada, os dados económicos apresentados nos EUA, foram dados de segundo nível de relevância, com exceção da inflação do IPC, que por sua vez se mantém saudável e confortavelmente acima da meta de 2% do Fed (embora outras medidas estejam um pouco abaixo do esperado).

As primárias democráticas, com o candidato Sanders, de esquerda, a perfilar-se na linha da frente, tiveram, até agora, pouco impacto nos mercados financeiros. Isto poderá alterar-se durante esta semana e na próxima, à medida que as primárias forem sendo realizadas em Estados mais populosos e representativos, como o Nevada, a 22 de fevereiro 2020, e a Carolina do Sul, a 29 de fevereiro 2020.
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